sábado, 15 de setembro de 2018

PESSOAS COVARDES

Eu me considerava uma pessoa covarde, medrosa que ficava sempre pelos cantos procurando ficar invisível, mas quando a pressão era grande demais eu reagia.
Vou relatar neste post alguns episódios em que passei por situações difíceis e que ate dias de hoje doí no meu coração.
Apanhei do meu pai três vezes quando criança,  a primeira foi por uma briga que tive com minha irmã caçula quando eu ainda nem tinha entrado para a escola, estávamos brincando num cercado onde meu pai de vez em quando criava porcos, não recordo como começou a briga, mas lembro do sabor terrível provocado pelo fio de ferro na minha coxa, golpe dado por meu pai cuja marca ficou vermelha na hora, passando para roxo e depois para uma cor próxima ao preto que levou muito tempo para desaparecer. 
A segunda vez que ele me bateu eu estava brincando de pegador com a irma acima de mim, corríamos indo e voltando  pelo longo corredor que levava do portão ao fundo do quintal, meu pai trabalhava como pedreiro na casa dos meus padrinhos que era do lado da nossa, não entendo porque ele se irritou tanto, mas lembro dele praguejando com um cinto na mão, a dor da cintada nas costas, eu correndo para escapar da segunda, tropeçando, caindo no chão e implorando para ele não me bater, mas ele já tinha voltado par seu serviço.
A terceira vez foi um ato covarde da minha irmã Sonia que é dois anos e meio mais velha do que eu, acredito que eu devia ter por volta de uns seis anos, estava na cozinha descascando uma laranja e ela estava na sala não sei fazendo o que, escutei o som alto de alguma coisa caindo no chão e quebrando e o choro dela, continuei a descascar minha laranja quanto ela veio para a cozinha e falou olhando para mim...
- você é culpada!
Ela saiu para o quintal enquanto eu cortava minha laranja ao meio, peguei minhas duas metades e fui para fora saboreando a fruta que eu gostava tanto.
- porque você quebrou o vaso?
Senti meu pai pegando no meu braço e as primeiras pancadas no meu corpo, as duas metades da laranja caíram no chão enquanto eu recebia novas pancadas, não tenho ciência do quanto apanhei, mas quando meu pai me largou o choro que brotou do fundo da minha alma não foi por causa das pancadas, mas por ter apanhado inocente, entre soluços falei que não tinha derrubado nada, que eu estava na cozinha descascando laranja, e quem tinha quebrado o vaso era a Sonia que estava na sala e não eu.
- Sonia, você mentiu para mim, foi você que quebrou o vaso da sua mãe?
- de cabeça baixa sem resposta
- eu bati na Tuquinha sem ela merecer??? porque você fez isso???(com a voz embargada)
Ele ficou tão desconcertado que simplesmente baixou a cabeça e foi para o quarto sem falar mais nada enquanto eu soluçava compulsivamente.
Não lembro o que aconteceu depois, o que sei e que a Sonia não foi castigada por ter quebrado o vaso ou por eu ter apanhado no seu lugar, e por mais que eu viva nunca esquecerei essa injustiça, esta é uma das maiores magoas que guardo da minha irmã.
Minha irmã mais velha tem o gênio um pouco parecido com o meu com algumas diferenças, ela é mesquinha em relação as irmãs,  mas mão aberta e muito boa com os de fora, quanto a mim mesmo que a pessoa tenha me magoado geralmente volto a ajudar se for necessário, tanto faz se for da família ou não, eu tinha 23 anos e trabalhava na Santa Casa de São Paulo, tinha uma pessoa do centro cirúrgico que me contou a triste estoria de uma conhecida sua, lembrei de alguém que podia ajuda-la, mas quando fui ter com essa pessoa a ajudada não seria mais possível.
Conversando em casa sobre o assunto, a Sonia falou que alguém do serviço dela poderia ajudar, mas não era para falar que ela estaria intermediando, assim ela nos forneceu o andar sala mesa e nome da possível benfeitora que realmente ajudou, mas passado alguns dias, a Sonia chegou em casa agitada falando alto que alguém do serviço havia dito que duas pessoas muito parecidas com ela tinham ido la procurar fulana, e com medo de alguma coisa dar errado ela foi logo tirando o dela da reta...
- eu só mencionei, eu só mencionei, é vocês que foram la!!!
Ela falava gritando, agitada, deixando claro que ela não tinha nada a ver com o ocorrido, foram semanas e meses tentando desfazer o que achávamos ter feito certo sem sucesso, com o tempo achamos melhor deixar pra la, nada de mal ocorreu.
Essa mesma irmã trabalhou num pronto socorro municipal, e depois de algum tempo de trabalho, a supervisora saiu de ferias e ela foi encarregada de substituir a chefe no decorrer daqueles trinta dias, ela ao meu ver se tornou chata, e até mesmo aos domingos aparecia de surpresa para supervisionar o serviço. Lembro do dia que ela chegou em casa aos berros assustando a nossa mãe porque o pessoal do PS tinha aprontado uma boa para ela.
Eu passei por muitos apuros com amigas de setor quando eu trabalhava em industrias farmacêuticas e em hospitais como auxiliar de enfermagem, sofri muito com as mentiras, acusações, pegação no meu pé e outas coisas, mas nunca cheguei em casa gritando de boca aberta incomodando minha mãe, eu sempre procurava resolver meus problemas aonde tinha deixado.
Em 2014 fui morar com ela algum meses ate meu apartamento ser entregue, um dia o interfone tocou eu atendi, a portaria informou que um técnico da samsung estava la para atender um pedido de revisão da maquina de lavar, como ela não estava e não me passou nada sobre visita técnica da samsung, informei ao porteiro que ia entrar em contato por celular com a proprietária e em seguida retornava na portaria.
Falei com a Sonia que negou ter solicitado a visita técnica e recomendou varias vezes para não recebesse ninguém.
Então retornei para a portaria e informei que não havia solicitado técnico algum
- mas ele esta aqui com o nome completo dela bloco e AP, inclusive o carro tem o logotipo da empresa
- mas não é para deixar entrar
- esta bem
A Sonia chegou e entrou com tudo no condomínio de táxi, desceu no subsolo bem ao lado do elevador, achei um tanto dramático e exagerado o medo dela, mas vai se saber se não estava certa.
Trabalhei um mês e meio no Hospital Sírio Libanês para nunca mais, ótimo salario mas péssimo tratamento para os funcionários.
A enfermeira encarregada não foi com a minha cara e começou a me destratar de imediato, faltava alguns minutos para a passagem do plantão, o atendente de enfermagem muito solicito se apresentou a mim, me convidou para sentar ao seu lado e começou a explicar alguns procedimentos obrigatórios. Assim que a que enfermeira chegou me olhou e falou...
- você mal chegou e já esta sentada?
- estou explicando os procedimentos do andar para ela
Ela gritou com o Carlos que se afastou imediatamente e continuou a me dar bronca sem eu entender porque, foram os piores dias de minha vida profissional dentro do sírio libanês, tempo que não faço questão alguma de lembrar, o que percebi no decorrer do tempo que trabalhei naquele hospital:  aquela mulher tratava com amizade e cortesia as funcionarias de cor tanto da enfermagem como da limpeza ou de qualquer outro setor, e as pessoas de pele clara ela maltratava e humilhava sem distinção.
Para resumir, trabalhava na mesma unidade em que eu estava uma mulher parda, e tanto ela como a japona se tratavam como amigas, teve dois episódios em que essa mulher que era também uma auxiliar de enfermagem jogou a culpa de seus erros em mim,  a primeira foi sobre materiais de curativos que era de responsabilidade dela, na contagem da manha faltou uma pinça, ela na minha frente me culpou, eu que sequer entrava no expurgo, mas fiquei quieta, a segunda vez ela estava com problemas de micose e a enfermeira preparou um tipo de escalda pés com medicação para ela e me ordenou para preparar e ministrar a medicação do andar.
Sem problemas, comecei a preparar a medicação enquanto ela ficava com os pés na bacia, mas assim que a enfermeira deixou o andar ela me falou...
- pode deixar Roseli, que eu cuido de preparar e administrar a medicação
- mas a Dona Tomiko falou para eu ficar no seu lugar e deixar você  ficar no atendimento aos pacientes junto com o Carlos
Ela disse que ia ficar com a medição mesmo, então eu fiquei no atendimento que consiste em atender as campainhas, fazer o controle de sinais vitais, limpar e trocar pacientes sempre que o acompanhante solicitar, fazer encaminhamentos para exames e etc.
No decorrer do plantão a enfermeira passa no setores para verificar o andamento do serviço e deu de cara com ela preparando a medicação da madrugada.
- eu  falei que era para a Roseli cuidar da medicação para poupar você
- Ah, mas ela não quis ficar na medicação
Aquilo me subiu a cabeça e na hora respondi
- foi você que não me deixou ficar na medicação
Ela simplesmente se calou e a japona foi embora sem nada comentar sobre o ocorrido.
Covardes sempre procuram jogar a culpa dos seus erros sobre inocentes sem sequer se preocupar com o que pode acontecer com a pessoa,  se eu for contar quantas vezes fui injustiçada a estoria não vai terminar nunca.

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