segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

A IRMÃ AUTORITÁRIA - PARTE 3


Vou relembrar algumas passagens neste post que não relatei nos capítulos anteriores, eu e esta irmã tínhamos um costume que eu adorava, chamávamos de ``troca-troca´´, eu pegava as roupas que não queria mais, ela pegava as delas e trocávamos conforme nossos interesses, mas segundo avaliação dela cada duas ou três peças das minhas valiam apenas uma dela, mas apesar disso eu não me importava, afinal eram roupas que eu não queria mais mesmo, essa pratica durou por boa parte de nossas vidas.
Pouco antes dela casar eu comprei numa famosa loja de modas popular um blazer feminino estilo marinheiro azul marinho com brasão da marinha, uma peça coringa que combinava com saias vestidos e calças compridas,  e logo ela o pediu emprestado para levar na viajem de lua de mel, quando retornou ela simplesmente o jogou dentro do meu armário de roupas, eu peguei, lavei, passei e o pendurei no meu armário.
Passado alguns dias fui pegar o blazer e a peça não estava mais no meu armário,  perguntei para a minha minha mãe...
- mãe, alguém mexeu no meu armário de roupas?
- a Soni passou por aqui e levou um casaquinho seu...
Alguns dias depois ela o devolveu sem ter o cuidado de lavar e passar do jeito que o encontrou, ela simplesmente o jogou dentro do meu armário junto as roupas limpas! novamente lavei passei e pendurei no cabide.
Eu não gostei, mas resolvi deixar para la, só que quando resolvi usar a peça não estava mais no meu armário! e assim foi por umas quatro ou cinco vezes, por fim peguei o blazer que nem cheguei a usar e acabei dando para ela.
Voltando mais no passado, acho que entre os dez a doze anos minha mãe deu uma parte do armário
dela para que eu e a Soni guardássemos nossas roupas, era apenas uma parte com varão, eu fiquei
muito feliz e logo pendurei algumas peças minhas, a Soni fez o mesmo, mas sem esmero algum, de qualquer jeito, então eu arrumei tudo, separando metade do compartimento para mim e metade para ela, eu arrumava os cabides pelo comprimento das roupas tanto as minhas como as delas, dos trajes mais compridos para os mais curtos, mas quando ela ia pegar alguma peça ela simplesmente empurrava todos os cabides de um lado só bagunçando toda a minha arrumação, eu ia la e arrumava tudo novamente e ela bagunçava tudo novamente e novamente, ate que um dia eu falei com ela, ela não gostou e falou que o armário era dela que a mãe tinha dado para ela e se eu não gostasse que procurasse outro lugar para guardar minhas roupas.
Reclamei com meu pai, então ele esvaziou um lado do armário dele e deu pra mim com chave e tudo! era só um pequeno espaço com um varão para cabides e três gavetas pequenas, mas foi o máximo para mim, arrumei tudo com muito carinho, agora eu tinha um espaço só meu e com chave, era como se fosse a minha casinha que eu cuidei com muito carinho. 

(continua no próximo post)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

A IRMÃ AUTORITÁRIA - PARTE 2

A Soni começou a se desentender com o meu sobrinho por causa da Ane depois dela ser diagnosticada com Alzheimer, ela implicava com tudo achando que o menino não estava agindo corretamente com a mãe, ele chorou para mim diversas vezes, mas eu não queria me desentender com nenhum dos dois e achei melhor ficar neutra (encima do muro) e esse foi o meu grande erro. 
Ela queria que o sobrinho fizesse isso ou aquilo do jeito que ela mandava, mas ele com o gênio forte que tem fazia as coisas como achava melhor, e foi assim que começou o desentendimento que chegou a tal ponto que ele acabou contratando uma cuidadora de idosos e bloqueou o telefone para a família, mas a Soni procurou assistente social e foi acertado que aos sábados teríamos direito as visitas, que consistia em ir buscar nossa irmã e passar o dia com ela, e a tardinha a levar de volta para sua casa.
Devo informar que meu sobrinho também me ``apertava para escolher um dos lados´´ que eu devia tomar partido dele ou da Soni, apesar de eu explicar que não queria ficar contra ninguém ele certo dia me falou que se eu não estava do lado dele então estava contra ele, e então ele não mais ia me considerar sua tia nem ia mais falar comigo, e assim procedeu.
Minha irmã mudou para Jundiaí que fica bem próxima a cidade em que morávamos, ela chegou para mim e falou..
- Rose, você vai pegar a tata no sábado?
- ah, pego...
E assim começou a minha tortura, pois não foi só o primeiro sábado, mas todos os sábados a seguir,
ela mudou para outra cidade e eu fiquei todos os sábados indo buscar a Ane pela manha e levando de volta a tarde, por diversas vezes este meu sobrinho me humilhou com palavras ou de outras formas.
Um dia ele foi tão grosso comigo que liguei pra Soni e falei que nunca mais ia pegar a Ane por causa das grosserias do menino, ela apenas escutava sem comentar nada, ai no próximo sábado eu me sentia na obrigação de ir la pegar a irmã novamente....
E assim aconteceu por muito tempo, eu reclamava para ela e ela nada!!! nem um comentário, o problema era meu eu que me virasse, acho que era exatamente assim que a Soni pensava, então comecei a procurar uma saída, meu filho tinha casado, eu estava morando sozinha, casas na rua em que eu morava sendo invadidas...cheguei a conclusão que o melhor seria vender a casa e comprar apartamento, assim eu resolveria dois problemas e ainda teria um pouco mais de segurança.
Foi assim que acabei vindo para Jundiaí também, vendi minha casa e comprei apartamento num empreendimento novo, tanto que demorou nove meses para eu receber as chaves, e no decorrer desse tempo fiquei morando com a Soni no condomínio dela, fiquei feliz, pois apesar de tudo eu amava a Soni e queria ficar perto dela, e nesse nove meses juntas foi que vim a conhecer melhor esta minha irmã.

(continua no próximo post)