Enfim mudei para meu apartamento, muita dificuldade de inicio, a antena coletiva não funcionava, eu tive que comprar uma antena interna para assistir um pouco de TV, o gás ainda não tinha sido ligado, e quando ligou o encanamento de água quente/fria estava invertido então eu não podia tomar banho quente enquanto a construtora não viesse arrumar, sem telefone, sem internet, foi muito difícil no começo, mas aos poucos todos estes problemas foram resolvidos um a um.
Enquanto isso eu ia diariamente visitar minha irmã e usar a internet do condomínio dela que tem sala de Lan House com Wi-Fi e 10 computadores, eu não me sentia bem, mas precisava da internet diariamente, e apos o uso eu subia para o AP dela e ficava la por um tempo, e neste tempo eu só ouvia reclamações dela porque tinha que cuidar do apartamento, tinha que cuidar da Ane, tinha que fazer comida, e isso e aquilo, pensei comigo...
- isso não vai dar certo...
Um dia cheguei na casa dela e ela me pediu para irmos leva a Ane no medico porque ela não estava
bem, tem um PA próximo a casa dela e para la levamos a nossa irmã, o atendimento da nossa irmã foi demorado, pois o medico pediu para ser ministrado soro com medicação alem de exames de sangue e urina, mas enfim após o termino do soro e resultado dos exames ela foi dispensada, em vez de ir para casa ela resolveu passar no mercado, depois das compras feita resolvi voltar para meu condomínio, mas ela queria que eu voltasse para o AP dela alegando o mal estar da Ane.- Sua irmã esta doente...
- mas ela já foi atendida e medicada, eu preciso voltar para casa...
- vai embora então...
E foi assim que começaram os desentendimentos, enquanto eu morei na casa dela eu cuidava da cozinha, sala, e da lavagem das roupas, preparava as caixinhas de medicação da Ane, ministrava as medicações, colocava nossa irmã no banho, deixando apenas as refeições para a Soni salvo o cafe da manhã que eu também preparava, depois que mudei essas tarefas ficaram a cargo dela então ``a barra pesou´´
Eu continuei indo diariamente, mas um tanto constrangida, e certo dia senti um cheiro forte de gás na cozinha, deliguei a válvula do gás e avisei minha irmã...
- Soni, esta um cheiro forte de gaz aqui na cozinha, eu desliguei a válvula...
- Me faz um favor, entre em contato com o cemitério Bosque da Saudade e reclame do acumulo de terra em volta do tumulo toda vez que chove...
Explicando: quando meu cunhado faleceu eu paguei pelo tumulo que ficou em meu nome, pois minha irmã não tinha o valor exigido, então qualquer problema referente ao cemitério ficava a meu cargo resolver.
Enquanto eu pesquisava o numero do cemitério para entrar em contato ela falava alguma coisa que no momento não prestei atenção, então ela gritou comigo...- Rose!!!
Levei um susto e olhei para ela espantada...
- Você esta com problemas...
- estou tentando achar o numero do cemitério...
O tom que ela falou comigo foi bem raivoso, depois que consegui o numero do telefone e entrei em contato com a administração do cemitério resolvi ir embora, pois tinha ficado muito constrangida com o modo como ela me tratou, deixei passar alguns dias e retornei para a casa dela por volta das 15h, encontrei minha irmã novamente nervosa...
- Estou sem gás para tomar banho (o aquecimento do chuveiro é a gás) e sem gás para fazer comida, liga para algum restaurante e vê se consegue marmitex para mim e pra Ane .
- Soni, a esta hora nem almoço em restaurante você vai conseguir, vamos la em casa que faço comida enquanto vocês duas tomam banho...
Ela estava vendo uma pasta de documentos sobre a mesa, levantou da cadeira e me chamou para ver um furo num pedaço de cano sobre a pia, era um buraco até grande por onde o gaz estava escapando quando senti o cheiro forte alguns dias antes e ia demorar alguns dias para reposição da nova peça, enquanto isso não dava para usar o fogão ou tomar um banho quente.
- nossa mas o que aconteceu para causar um buraco desse?
Nunca soube porque ela deu aquele berro comigo, olhei para ela assustada e falei meio que sorrindo
tentando amenizar o clima...
- ah Soni, ta pensando que eu sou palhaça?
Ela simplesmente caminhou em direção a mesa, pegou a pasta que estava vendo e começou a bater violentamente contra a mesa enquanto gritava palavras que nem lembro mais, fui expulsa por ela do apartamento naquele instante...
- Vai embora! suma daqui! se não quer ajudar some!!!
Eu fiquei la na cozinha parada, apalermada, olhando aquela cena sem compreender por alguns instantes, por fim sai daquele torpor peguei minha bolsa e fui embora enquanto ela continuava gritando um monte de coisas, andei sem rumo pelas ruas tentando entender e digerir toda aquela cena, o coração apertado, a angustia que sentia em meu peito, a certeza do fim da amizade, um grande mal estar....
(continua próximo capitulo)

