quinta-feira, 30 de agosto de 2018

SOBRE APELIDOS

Eu até aceito que a família use de apelidos carinhosos para com as crianças, mas tem que deixar bem explicado para os pequenos o seu nome verdadeiro. Minha irmã mais velha adorava colocar apelidos nas irmãs menores, eu como era muito pequena e franzina ganhei o apelido de Tuquinha.
Todos me chamavam por esse apelido desde a família, parentes e vizinhos, eu desconhecia completamente que tinha um nome.
Fui para o 1º ano primário aos seis anos e meio, pois meu aniversario é em julho, e naquele tempo se não me engano não tinham escolas para pre-primário, ou talvez tivesse mas particular, lembro que na chamada de presença a professora nunca citava meu nome, mas sempre perguntava olhando pra mim...`
- Roseli está presente ou não?
Lembro que nas provas eu escrevia Tuca ao invés do meu nome, e a professora sempre dizia...
`- mas quem é essa Tuca?
A professora exigia 2 lápis apontados alem de outros materiais, eu só tinha um, de vez em quando a professora passava  revista e quem estava com material incompleto era obrigado a ficar de pé, ela se voltou para mim pegou nos meus cabelos e chacoalhou minha cabeça para la e para cá...
- Roseli, na próxima aula quero material completou ou você vai ficar a aula inteira  de pé atrás da porta... 
Foi assim que descobri que meu nome era Roseli e não Tuca, fiquei cheia de duvidas quanto a isso, e esse meu apelido continuou vivo enquanto eu morei na casa de meus pais em São Paulo, hoje moro no interior, mas até uns oito  anos atras ainda fui em São Paulo, pois eu e meus irmãos herdamos a casa de nossos pais q ficava no bairro do Jabaquara, e alguns vizinhos antigos vinham nos cumprimentar me chamando por esse apelido mesmo eu os corrigindo  informando meu nome verdadeiro.
Eu interpelei minha irmã por causa desse apelido e ela respondia que eu era uma Tuquinha por causa da minha constituição física em criança, então eu chamava atenção dela e contava dos apuros que eu tinha passado no primeiro ano de escola primaria por não saber meu nome próprio. 
- mas como vc não sabia que seu nome é Roseli?
- Alguém alguma vez me chamou pelo meu nome verdadeiro quando eu era criança, vc por acaso falou para mim o meu verdadeiro nome quando entrei na escola???
- calada
- então eu não tinha como saber, para mim meu nome era Tuca e eu o achava horrível...
Então meus amores, não coloquem apelidos nos seus filhos, mas se colocarem expliquem para eles que é um jeito carinhoso de trata-los e deixe bem claro para os pequenos o nome real.


quarta-feira, 29 de agosto de 2018

PAPAI QUERIDO

Meu pai foi um homem simples carinhoso com os filhos, apesar de ter um carinho especial por mim não me tratava melhor que minha irmãs. lembro de algumas passagens bem distantes quando meu pai retornava do serviço, no jantar ele se servia de um prato bem farto de comida, sentava num banquinho baixo e era rodeado por suas três filhas pequenas, eu, Sonia e Elizete, todas com colherinhas na mãos, e jantávamos com nosso pai no prato dele, como era gostoso partilhar da comida no prato do nosso pai, tenho saudades...

Toda noite eu deitava de bruços no colo do meu pai e pedia para ele coçar minhas costas, ai eu acordava no dia seguinte no meu bercinho.

Meus pais eram pobres e não podam dar brinquedos caros para as filhas, lembro que eu tinha uma daquelas bonecas inteirinha de plástico que tinham um formato de coque na cabeça , eu brincava com ela e as vezes saia um dos braços ou da perna, então eu escondia a boneca com medo de levar bronca, mas no dia seguinte ela estava inteirinha para eu voltar a brincar.

Eu gostava muito de uns bonequinhos plásticos bem baratinho que mexiam pernas e braços, eu os chamava de safadinhos pois eram bem pequenos e tinham uma carinha safada,  meu pai sempre comprava para mim e brincava comigo achando graça.

Lembro que até os meus quinze anos meu pai brincava comigo como se eu fosse uma criança pequena, ele não era de ficar agarrando as filhas, o carinho dele se resumia a falar dengoso, no meu caso ele me chamava carinhosamente de bobinha, ``BOBINHA, O BOBINHA´´
Quando eu tinha quatorze anos minha mãe comprou para mim um vestido xadrez miudinho branco/preto, com colarinho e de abotoar na frente do peito ate altura d cintura, ele não era rodado, era um modelo singelo própria para uma adolescente na minha idade, toda vez que meu pai me via com esse vestido ele ficava me chamando: ``CARIJOSINHA, O CARIJOSINHA``
Meu pai, quantas saudades sinto do senhor!!!

domingo, 26 de agosto de 2018

CRIANÇAS MALDOSAS


Existe um ditado que diz: ``PAU QUE NASCE TORTO NÃO ENDIREITA´´ esta é a mais pura verdade, pessoas maldosas já nascem maldosas e mostram isso desde a mais tenra idade, eu era muito quietinha, franzina e comportada, acredito ser desde essa época muito tímida, mas já estava aprendendo o quanto crianças podem ser ruins, maldosas e falsas, Minha madrinha Encarnação morava na casa ao lado da minha família, eu subia pelo nosso quintal ate a casa dela com ajuda da minha mãe, tinha uns patos q sempre insistiam em me bicar, ela me colocava sentada no sofá da sala e ia se arrumar para sairmos, eu olhava pela porta do quarto e através de um espelho eu via ela passando talco na região glútea com uma esponja tipo aquelas de pó compacto mas bem maior, então íamos na casa de uma amiga dela, antes de ir embora ela sempre pedia q eu fosse ao banheiro e mesmo contra a minha vontade a dona da casa pedia para uma menina maior acredito que era a filha dela me levar, ela me punha sentada no vaso sanitário e começava a me falar coisas, tipo me chamar de fresca e outras ofensas, uma vez ela enfiou o dedo no meu olho e eu chorei alto, vieram as duas comadres ver o que tinha acontecido, eu chorando falei das ofensas que a menina tinha me xingado e q ela tinha enfiado o dedo no meu olho,  lembro q ela deu varias desculpas mas não me recordo de suas palavras.
Somos em cinco irmãos, na época o caçula não era nascido, a mais velha era a Ana, depois vinha a Sonia, eu e depois a Elisete, e quando completei seis anos nasceu o único filho homem de minha mãe, Eduardo.
Tínha um casal vizinho q morava em frente a nossa casal Sr Manoel e Sra Iolanda, eles tinham vários filhos, entre eles uma menina mais ou menos da minha idade que era chamada pelo apelido de patinha. Acredito q naquela época eu devia ter de dois para três anos, a filha mais velha deles Eni era muito amiga de minha irma mais velha Ana, lembro de uma vez em q minha irmã estava conversando com esta moça no quintal da casa dela e me segurava pela mão, essa patinha chegou perto de mim, me encarou e mediu minha pessoa de cima para baixo e depois me deu um sonoro tapa para em seguida desatar no maior choro, eu confusa nem me mexi mas apanhei de minha irmã pois ficou entendido q eu havia batido na menina, então apanhei da talsinha e da minha irmã também.
Outro fato que me recordo são dois grupos de crianças, cada grupo numa ponta oposta na rua, minha irmã Sonia pegou a mim e minha irmã menor Elizete e nos orientou para bater nas meninas da outra ponta q viriam a nosso encontro, o grupo do outro lado empurrou 2 garotinhas e minha irmã nos empurrou também, eu deveria ter uns três anos e poucos e minha irmã menor uns 2 anos mais ou menos, eu não entendia direito o que estava acontecendo e o que eu deveria fazer, mas caminhei junto com minha irmã menor ao encontro das outras duas, apanhei muito.
Minha mãe lavava roupas para fora para ajudar no sustento da casa, nessa época eu deveria ter uns cinco anos, ela me ordenou que fosse estender roupas para ``quarar´´no gramado da nossa calçada, estava eu nesta tarefa quando uma menina q eu não lembro mais o nome parou e começou a puxar conversa comigo, ela morava numa casa cujo terreno ficava na rua debaixo e fazia divisa no fundo do nosso quintal, não lembro o assunto da conversa, mas de repente ela começou a me agredir, tentei me defender, mas a fulaninha era bem maior que eu, então corri para dentro do nosso quintal chorando enquanto a agressora em desabalada carreira desceu a rua e foi se esconder em sua casa. Esta menina viria a falecer alguns anos depois.
Eu estava por volta dos sete anos e fazia cursinho de catecismo aos domingos depois da missa das
 crianças para a primeira comunhão, aprendi desde que entrei na escola que as professoras sempre tinham aquelas alunas que eram as favoritas, talvez porque fossem mais espertas, bonitas ou puxa-sacas mesmo, para essas alunas a professora dava a direito de chamar atenção das outras, corrigir provinhas e fazer chamada oral.
Então no final do curso a professora selecionou três alunas entre as suas favoritas para fazer prova oral  das demais, a prova consistia em rezar ave maria, pai nosso, santo anjo, Credo (creio em deus pai) e salve rainha.
A maioria dos alunos não conseguiam rezar o Credo por ser uma oração longa e difícil para uma criança, mas eu rezei direitinho o Credo e todas as outras, mas quando chegou no salve rainha orei ate pouco mais da metade, o restante nunca consegui memorar ate dias de hoje.
A aluna encarregada após cada chamada se dirigia a professora para passar se o aluno foi bem na prova, regular, ou mal, a menina que tomou a lição de mim, depois de passar para a professora voltou para minha carteira e falou:
- você não soube nenhuma oração, a sua nota foi zero!
Olhei para ela incrédula,  eu poderia ter ido ate a professora reclamar e pedir para que ela repetisse a prova oral comigo, mas me calei. e desde criança sempre agi assim, nunca tive ``boca´´ pra nada, lembro das inúmeras vezes em que fui prejudicada e sai como a errada tanto em família como na profissão e até com estranhos, depois eu ficava ruminando tipo ´´eu poderia ter falado isso ou aquilo, mas nunca falei nada, nunca me defendi e me odeio por isso.
Este dois últimos fatos que vou relatar aconteceu quando eu já adulta estava sentada num banco dentro da estação da CPTM aguardado o trem chegar, veio uma senhora e sentou-se ao meu lado junto com sua filha de mais ou menos cinco a seis anos, a menina me deu uma encarada e me mediu de cima abaixo varias vezes, e continuando a me encarar nos olhos me deu um beliscão na maior sem cerimonia.
Na hora gritei para a mulher:
- OLHA A SUA FILHA ME BELISCANDO!!
A menina se afastou de mim rapidamente mas ganhou alguns sonoros tapas da mãe que a repreendeu com energia
Certa vez fui ao PROCON da praça da Sé não lembro mais o assunto que fui tentar resolver , o local estava lotado com praticamente nenhum lugar para sentar, procurando notei que tinha uma fileira vazia com apenas uma garotinha de uns oito anos sentada na ponta, pedi licença e a fulaninha se colocou na minha frente me impedindo o acesso as cadeiras, empurrei ela e passei, mas a talsinha passou a me desferir tapas, segurei as mãos dela e falei alto: 
- QUEM É A MÃE DESSA CRIANÇA MAL EDUCADA???
Uma senhora que estava sentada na fileira de trás começou a discutir comigo dizendo que eu não tinha paciência com crianças e outras coisas, respondi para ela que se continuasse a permitir que sua filha crescesse achando que podia impedir pessoas de se sentarem um lugares públicos as agredindo , com certeza dali a alguns anos ela estaria apanhando da própria filha. A mulher não gostou e ficou ali resmungando baixinho.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

PRIMEIRAS LEMBRANÇAS

A minha lembrança mais antiga: minha mãe comigo no colo, acredito q estávamos num salão de cabeleireiras, minha irmã estava sentada numa cadeira e uma moça  cortava seus cabelos, minha mãe me colocou no cão e eu caminhei até uma parede envidraçada e olhei para o mundo enorme aos meus olhos, estávamos num andar muito alto, minha mãe apontou para fora e falou sorrido para mim: credo!

Acho q antes disso tenho a lembrança da minha irmã mais velha passeando comigo, eu olhava para trás e via ela empurrando meu carrinho de bebe, então tudo bem, passava um tempinho eu olhava para trás novamente e outra pessoa desconhecida empurrava meu carrinho, então eu desatava a chorar
Não sei quem era a pessoa e nem me recordo mais se era homem ou mulher, mas esta lembrança nunca esquecerei





sábado, 11 de agosto de 2018

REFLETINDO

Sempre me pego pensando no meu tempo de escola primaria (primeiro ao quarto ano) como fui alfabetizada e as boas lembranças que guardo desse tempo em que as escolas públicas eram consideradas melhores e mais fortes que as 
particulares, comparo com o ensino atual e percebo o quanto mudou, hoje não só os jovens, mas adultos mal sabem ler, 
escrever, fazer contas e falar corretamente, exemplo: FUGÃO ao invés de fogão, NOIS VAI, NOIS FUMO É NOIS, ELE QUIZ MATAR 
NOIS, NOIS FICOU COM MEDO, A GENTE PEGÔ, A GENTE FEIZ, A GENTE VAI, A GENTE FOI, AQUI SÓ TEM TRABAIADÔ, A GENTE É TRABAIADÔ, A MUIÉ, AQUELA MUIÉ...
Outra coisa q quando escuto fico em dúvida: ENTÃO EU PEGUEI E FUI...o que esta pessoa 
pegou antes de partir??? AI EU PEGUEI E FALEI...o que ela(e) pegou antes de falar??? não pode simplesmente dizer EU FUI, EU FALEI??? acho mais fácil do que ficar pegando coisas por ai...