quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

PARA A TATINHA

Hoje acendi uma vela...
Para você...
Rezei por você...
E pela primeira vez... 
Desde que partiu...
Derramei lagrimas...
Por ti...
Peço perdão...

domingo, 15 de dezembro de 2019

A IRMÃ MORTA VERSUS A IRMÃ AUTORITÁRIA

Tudo o que eu tinha que falar da irma falecida já foi dito, sobre como ela tinha autoridade sobre as irmãs menores e como ela foi perdendo essa autoridade com as irmãs crescendo e ficando moças, mas mesmo assim ela ainda se intrometia na educação dos sobrinhos filhos da irmã autoritária o que resultou em muitos atritos, desentendimento, e brigas familiares.
Com o tempo ela foi entendendo que não devia mais dar palpites na vida das irmãs, a relações entre nos melhorou e a amizade floriu.
A irmã autoritária junto com o marido resolveram reformar a casa da chacrinha onde residiam, mas na verdade levantaram outra casa sobre essa que depois foi demolida, a Soni sempre teve o desejo de morar numa casa grande, e acabaram construindo uma enorme casa com cômodos bem amplos e quatro banheiros, mas não tiveram sorte com o construtor que cometeu vários erros durante a construção. 
Na construção do telhado foi necessário comprar quatro mil telhas, como a Soni não tinha esse valor
ela pediu para a Ani o dinheiro necessário para adquirir todo o material que incluía as quatro mil telhas, caibros, ripas, pregos e demais materiais.
A Ani emprestou a quantia para ela, mas o serviço do péssimo construtor resultou num telhado mal feito que quando chovia a água da chuva não tinha caimento para escoar, e acabava por voltar e vazar inteiramente dentro da casa.
No fim nada deu certo, pois um muro que seria de arrimo, depois de fazer o aterramento veio a ruir e a terra rolou para todos os lados, ela sem dinheiro para concertar (tinha que derrubar tudo no chão e levantar novamente) o pedreiro abandonou a obra, e a construção la na zona rural meio que abandonada pessoas de ma fé começaram a invadir e roubar todo o material que podiam, e quando não tinha mais nada para roubar começaram a cutucar o telhado com varas e paus derrubando inúmeras telhas quebrando o máximo que podiam.
Por fim a construção ficou la abandonada e ela passou a morar de aluguel por dois anos ate que quando eu mudei para minha segunda casa ofereci a primeira para ela e a família morarem ate que conseguissem se reerguer (não cobrei aluguel)
Nesse tempo ela junto com o marido começaram a procurar terreno para comprar, e acabaram comprando um próximo ao centro da cidade e iniciaram uma nova construção. Foram exatamente seis anos lutando para construir, e no final desse tempo mudaram para a nova casa que estava rebocada por dentro e no contrapiso, por fora sem reboco, sem telhado e sem contrapiso, mas em breve tiveram que se virar e telhar a casa pois quando chovia entrava água  por todos os lados.
Pois bem, o tempo passou, a casa de São Paulo que pertencia a nossos pais acabou sendo vendida depois de uma luta de sete anos para regulamentar a planta e a escritura, todos os herdeiros receberam a sua parte, e ela informou que pretendia pagar o que devia para a irmã, acredito que fazia mais ou menos uns vinte anos que ela tinha tomado esse empréstimo, mas ela queria que a tata fosse ver o valor atual da quantia...
- a tata é que tem que ir no banco e verificar o quanto devo pagar sobre o dinheiro que peguei emprestado...
Não respondi nada mas pensei naquele momento...
- ela esta de brincadeira, pois sabe que a tata esta sem condições de procurar saber no banco o valor atualizado do dinheiro que emprestou a vinte anos atrás...
Com efeito, acho que naquela época a Ani já estava apresentando sinais de Alzheimer pois não conseguia mais se virar sozinha e sempre pedia ajuda para mim, fui no banco e conversei com o gerente, o calculo que ele fez dava o total de nove mil reais se fosse reajustado pela poupança, ele mesmo disse que aquele valor não seria real, que o mais certo era ir com a lista de materiais na mesma fornecedora e fazer um novo orçamento, então teríamos o valor correto.
Informei a Soni o que ela deveria fazer mas por algum motivo não o fez, talvez não tivesse mais a lista de materiais ou porque ela realmente foi ver e o valor era alto demais.
Passou mais algum tempo e ela finalmente tomou consciência e entregou para a Ani vinte mil reais, não sei se foi o valor correto, mas enfim acabou com esse capitulo, pois minha própria mãe achava que ela nunca iria pagar, mas em breve a pobre irmã mais velha foi diagnosticada com Alzheimer e não pode mais gerir o próprio dinheiro.
  

sábado, 2 de novembro de 2019

DINHEIRO&IRMÃS

Depois que separei do meu ex-marido consegui um segundo emprego e passei a guardar dinheiro na intenção de construir minha casa, fui juntando como podia guardando na conta-poupança, e cheguei a uma quantia bem razoável para a época, mas era um tal de ``me empresta´´ que meu rico dinheirinho não chegava a ``assentar´´ na conta.
A minha irmã Ani sempre foi muito lerda e descuidada, ela pagava aulas particulares para seu filho e acabou fazendo amizade com a professora, a mesma em certa ocasião a convidou para passar um final de semana no litoral mais precisamente na casa de uma irmã dela.
A tarde por insistência da professora, ela chamou o filho para tirarem um cochilo, só que o menino não chegou a dormir e viu a professora mexendo na bolsa da mãe, mas como ele era pequeno não entendeu o que estava acontecendo.
O resultado apareceu uma semana depois quando o gerente do banco ligou para ela e informou que a conta estava zerada e todo o valor do Lis tinha sido sacado (valor que o banco disponibiliza na conta do cliente que quando usado é cobrado taxas exorbitantes) e que vários cheques foram passados em lojas e  alguns estavam voltando sem fundos.
Ela ficou desesperada, foi no banco falar com o gerente mas ele nada podia fazer, pois os cheques eram dela com sua assinatura e ``ao portador´´.
A Ani procurou uma delegacia e fez boletim de ocorrência, mas a unica coisa que conseguiu foi bloquear o restante das folhas do talão de cheques e o cartão, depois o meu sobrinho contou que viu a professora mexendo na bolsa dela, mas a mesma nunca mais voltou para dar aulas para o Igor, deixando claro que ela tinha sida a autora do roubo, com as contas atrasando e sem um tostão para saudar as dividas, então ela chegou para mim e pediu empréstimo...
- Rose, eu sofri um golpe da professora do Igor, fui passar o final de semana com ela no litoral e ela
roubou o meu dinheiro da bolsa, o meu cartão e o meu talão de cheques, acho que ela falsificou minha assinatura e sacou todo o meu dinheiro e ainda fez varias compras usando meus cheques.
- mas como isso aconteceu Ani, você deixou sua bolsa dando sopa?
- eu estava dormindo e não vi, ai o gerente do banco me ligou para avisar que eu já tinha usado todo o dinheiro da minha conta e do lis...
- mas quando foi que você descobriu, pois acho que tinha dado tempo de você sustar o talão de cheques inteiro se percebesse a falta dele...
- ah, eu não percebi porque nem mexi na minha bolsa, depois quando contei para a mãe o  Igor me falou que viu ela mexendo na minha bolsa...
- mas Ani, você não revisa sua bolsa diariamente?
- não...
Essa minha irmã sempre foi muito lerda e preguiçosa, e sempre usou bolsas enorme, ela não tirava nada e só ia enfiando coisas dentro, diferente de mim que só uso bolsas pequenas e carrego o estritamente necessário e sempre reviso meus pertences antes de sair de casa, tanto que certa vez no serviço tínhamos uma ``colega´´ que costumava pegar valores das amigas sempre que podia, e de mim ela pegou um cartão de credito que dei falta assim que cheguei na estação de trem (eu trabalhava 12/36 noturno, então não deu tempo dela usar o cartão) pois ao abrir a bolsa para pegar o vale transporte dei por falta dele e imediatamente liguei do orelhão da estação e bloqueei o cartão, mas voltando ao caso de minha irmã ela me pediu na época R$2.000,00 emprestado, era tudo o que eu tinha na conta poupança.
- Tata, isso é tudo que eu tenho na poupança...
- eu não tenho saída, me empresta que assim que eu puder te pago com juros...
Tudo bem, fui no banco retirei o dinheiro e entreguei para ela, o que eu podia fazer senão socorrer minha pobre irmã?
Pois bem, passou um bom tempo mas enfim ela me pagou os $2.000,00 sem os juros prometidos, então mais que depressa depositei o dinheiro novamente na poupança, mas não ficou por muito tempo pois no mesmo dia a tarde minha irmã Soni veio me pedir dinheiro emprestado não lembro o motivo, eu lembro que estava dando banho no meu filho, feliz e tranquila por saber que a grana estava guardadinha na minha conta-poupança quando ela veio falar comigo...
- Ah Rose, você emprestou $2.000,00 para a tata e a mãe falou que ela já te pagou, então eu peço para você emprestar essa quantia para mim com urgência...
Fazer o que? vi meu rico dinheirinho criando asas e voando novamente, fui no banco acompanhada por ela saquei todo o valor ($2.000,00) e lhe entreguei com a promessa dela de devolução com juros e correção monetária o que não aconteceu, pois depois de um bom tempo ela devolveu o valor liso como havia emprestado, o engraçado e que depois de um bom tempo eu já morando no interior, a Caixa Econômica Federal começou a fazer empréstimos para aposentados, e como eu já estava construindo fui ate o banco e consegui empréstimo com excelente taxas de juros, não lembro quantas vezes tirei empréstimo em meu nome para ela, mas sei que como irmã nunca recusei, diferente dela que negou me emprestar a unica vez que pedi que seria para fazer minha mudança que estava guardada no apartamento do meu sobrinho para o apartamento que eu tinha comprado, enfim com muito custo ela arrumou uma quantia de $1000,00 com muita recomendação pois esse dinheiro pertencia a nossa irmã doente, e logo ela me cobrou sem eu ter de onde tirar.
E assim se passou, também sofri com colegas de serviço já contei uma estoria aqui no post, mas teve duas ``amigas´´no Hospital Infantil Menino Jesus que pediram dinheiro emprestado (não sei mais estipular o valor) e nunca me pagaram, hoje em dia estou sem um tostão com dividas e não tenho mais de onde tirar dinheiro, estou me virando como posso, ajudei tanto e ninguém me ajudou, mas a vida é assim, e assim conhecemos os valores das pessoas.

domingo, 20 de outubro de 2019

A IRMÃ MORTA - PARTE 2

Quando ela começou a procurar casa na cidade em que eu residia tentei ajudar, fomos ver uma ótima casa num bairro popular próximo ao centro, era uma propriedade muito bonita, e na lavanderia tinha um acesso por escadas que dava no porão, um salão enorme que acompanhava o comprimento e largura da casa, por dentro ela estava linda bem pintada e muito bem cuidada, com cozinha pequena mas planejada, uma sala de bom tamanho, dois quartos, banheiro e lavanderia, por fora ela estava no contrapiso e sem a pintura, mas valia cada tostão do preço informado.
A Ani se interessou muito pela casa, pois tinham lojas, panificadoras, farmácias e supermercados bem próximo alem do ônibus circular que levava cidade/bairro, mas a irmã autoritária foi contra assim que ela falou sobre a propriedade...
- imagina você querer comprar casa nesse bairro que e vizinho do São Jose...
- mas a casa é ótima e tem ponto de ônibus quase em frente alem de um excelente comercio, o lugar parece muito bom, com varias residencias bem cuidadas...
- eu vou procurar uma casa melhor para você etc etc e tal...(falando que o lugar não prestava, e ponto inúmeros defeitos)
Com tantos argumentos contra a Ani acabou desistindo da bela casa apesar de ter gostado muito, e a
Soni começou por conta própria a procurar casa para ela encontrando uma no centro da cidade apos inúmeras visitas a varias propriedades e acabou negociando com a imobiliária, depois avisou a Ani que ela podia preparar a mudança, pois ela já tinha encontrado uma boa casa no centro da cidade e ia deixar preparada para a vinda dela.
Tudo bem, ela foi na imobiliária pegou a chave e me chamou para ajudar na limpeza, levamos todo o material necessário, mas quando entrei na casa não acreditei, a casa era um mostro, toda emendada com terreno caído, então a divisão era assim, na parte de cima tinha a sala, a cozinha, um quarto um banheirinho mequetrefe, a lavanderia e um quintalzinho, a escada que levava ao andar de baixo na realidade fazia parte do quintal, mas o antigo dono fez uma cobertura nas escadas e construiu em baixo não sei como mais três quartos pequenos e dois banheiros numa especie de corredor que ligava um comodo no outro, os quartos não tinham janelas que davam para fora, mas num corredor fechado com meia parede e vitros que não ventilavam os cômodos, as paredes com rachaduras enormes denunciavam o estado da propriedade, armários planejados encostado na parede do banheiro, úmido por dentro cheirando forte a mofo, e no quintalzinho de baixo uma piscina imunda com churrasqueira caindo aos pedaços.
Comecei limpado os armários planejados dos quartos tirando o mofo e passando cândida, o banheiro ou suite estava com cheiro forte e nojento, a privada imunda, pensei comigo...
- onde foi que a Soni encontrou esta casa horrorosa???
A Ani mudou e viveu vários anos nesta casa tendo inúmeros problemas, pois sendo um terreno caído o encanamento passava pela propriedade dos outros com vários episódios de entupimento, era preciso negociar com os vizinhos para sanar o problema.
Pois bem, a Ani decidiu empregar o restante do dinheiro da venda da chácara de MG num imóvel no litoral, ela escolheu Itanhaém e a Soni foi com ela, a principio ela queria comprar um apartamento, pois ela queria o imóvel para alugar em temporadas, mas mais uma vez a Soni foi contra porque apartamento tinha que pagar condomínio etc etc e tal, e falou tanto que por fim a Ani acabou comprando casa mesmo e depois se arrependeu, pois apos a compra vizinhos locais alertaram a necessidade de ter uma pessoa cuidando para evitar invasões que aconteciam muito ali, e ela teve muitas dores de cabeça com a pessoa indicada, pois este vivia pedindo dinheiro para isso para aquilo, e arrancou muito valor dela e outras coisas como por exemplo, ele alugava a casa sem ordem dela recebia o dinheiro e não repassava, sem dizer que o terreno entre a casa dela e a outra estava encharcado e o dono não cuidava, a infiltração começou a amolecer o muro e o mesmo foi rachando e ficou a ponto de cair.
O pior de tudo e que depois a Soni comprou uma propriedade na mesma cidade litorânea, um
APARTAMENTO!!! e voltando um pouco mais atras sobre a bela casa do jardim Califórnia que ela falou falou e falou ate a Ani desistir...mas ela mesma depois de algum tempo foi ver a casa na intenção de COMPRAR!!! só que a casa já tinha sido vendida...
Essas interferências provocaram tantos problemas e tantos gastos que poderiam ter sido evitados e beneficiado a Ani, por exemplo: se ela tivesse comprado um apartamento ia pagar condomínio mas o valor justo, não ia ter problemas de invasões e infiltrações de terrenos vizinhos, e nem precisar contratar alguém para tomar conta, se a Soni não tivesse interferido na compra da casa do Jardim Califórnia, alem da bela propriedade a Ani não teria tido tantos problemas com vizinhos por causa de esgoto passando no quintal dos outros e nem com rachaduras ou mofo nos armários, por hora vou parar por aqui, mas em vários posts futuros a irmã autoritária vai aparecer muito.

(continua próximo post)

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

A IRMÃ MORTA

Ela foi o braço direito da nossa mãe, começou a trabalhar em casa de família ainda criança, em algumas casas foi bem tratada, em outras humilhada e alimentada com sobras de comida. Aos dezesseis  anos começou a trabalhar em industrias farmacêutica, e estudando chegou ao nível de analista química na ultima empresa onde trabalhou por mais de trinta anos.
Ela se deu o apelido de tata, e mimou todas as irmãs, quando pequena eu vivia mexendo no guarda roupa dela cobiçando os belos vestidos rodados moda da época, ela tinha vários e o que eu mais almejava era um azul celeste com salpicos de bolinhas brancas e vários saiotes.
Lembro que quando completei seis anos o meu presente foi escolher três brinquedos num
parquinho de diversões, então escolhi roda gigante, carrinhos roda roda e trem fantasma, neste ultimo brinquedo fiquei de olhos fechados e depois contei vantagem de tudo que não vi.
Lembro uma vez em que eu devia ser ainda muito pequena, ela falou brincando que ia me levar junto para trabalhar, eu fiquei toda empolgada, e junto com a minha mãe a acompanhamos ate o ponto de ônibus, eu não parava de tagarelar toda feliz pensando que ia junto, mas ela entrou no condução e minha mãe me segurou, eu me debatia e chorava querendo ir junto, mas mesmo pequena sabia dentro de mim que isso nunca ia acontecer.
O dia da semana que eu não gostava era o sábado, pois neste dia a tata fazia limpeza em casa e não dava trégua, colocava as três irmãs para ajudar.
Naquele tempo a limpeza era bem mais difícil, as casas tinham piso de tacos ou assoalhos, e para ficar limpo e bonito precisava esfregar o chão com palha de aço, e mesmo pondo panos em cima as pontas perfuravam o pano e entravam na carne da mão fazendo pequenos cortes ardidos, depois tinha que varrer muito bem, passar um pano bem úmido e naquele tempo querosene para tirar todas as impurezas do chão, e depois de joelhos passar a cera que era em pasta com um pano, depois de seca ai passava o escovão de ferro para lustrar (não tinha enceradeira na época e hoje em dia as ceras já são auto brilho)
Ela tinha a mesma autoridade que minha mãe sobre as três irmãs, chamava atenção, dava
ordens e aplicava castigos físicos quando achava necessário. Mas com o passar do tempo adolescência chegando foi ficando cada vez mais difícil para ela controlar as irmãs e manter a sua autoridade, pois cada uma de nos tinha um gênio diferente, lembro uma vez no dia do aniversario do irmã autoritária em que ela completava dezessete anos, as duas discutiram não lembro mais o motivo, a tata estava se arrumando para ir trabalhar, a Soni estava deitada e apanhou na cama mas não ficou quieta, falou tudo que achava de direito, mas eu, eu fiquei no meu canto bem quietinha.
Já com a irmã ignóbil relatei em capítulos anteriores uma certa vez que a tata foi busca-la na rua e a trouxe para dentro de casa pela orelha, as duas se pegaram e eu entrei no meio para separa-las e deu no que deu.
Comigo foi depois de algum tempo que comecei a trabalhar, aprendi a falar algumas palavras feias com as colegas da empresa e um dia em que estávamos voltando da escola (ela fazia curso a noite completando ensino médio e estávamos na mesa sala) repeti as palavras para ela e apanhei no meio da rua, foi ai que começou as nossas desavenças.
Ela se intrometia muito nas assuntos das irmãs principalmente da Soni, a Soni morava em outra cidade bem próximo do nosso pai e os dois faziam muitos negócios juntos, em todos a Ani se intrometeu, meu pai entrou em entendimento com a Soni e comprou uma Brasilia bem vistosa para ela pagar depois, mas a tata se intrometeu no meio e não deixou, então meu pai ficou com a brasilia mais nova e depois vendeu a outra mais antiga para a Soni. 
A Soni queria muito uma chacrinha que estava a venda numa cidade do interior de Minas
Gerais terra dos meus pais, meu pai sabendo disso resolveu comprar a chacrinha e por no nome dos três filhos da Soni, e para meu filho ele prometeu comprar uma chacrinha que estava a venda do lado da sua, eu fiquei muito feliz com a noticia, mas no dia que ele estava se arrumando para ir comprar a chacrinha em Minas Gerais a Ani grudou no pai e foi junto, quando voltaram a chacrinha estava no nome dela.
Passaram-se anos meu pai faleceu e ela acabou vendendo essa chacrinha por uma ninharia e teve que repartir em oito partes pois dois irmãos se casaram e teve mais 4 sobrinhos para dividir o valor o que deu quase nada para cada um visto que ela vendeu muito barato, a Soni se recusou a receber a quantia destinada aos filhos dela, mas a Ani entregou nas mãos dos sobrinhos.
E assim passou o tempo, voltamos a ficar amigas, ela arrumou emprego para mim na empresa em que trabalhava, casei tive um filho e dei para ela batizar, ela mimou os sobrinhos mais do que mimou as irmãs, e isso também foi motivo de desentendimento entre ela e a Soni, pois a tata se intrometia demais nos assuntos da Soni com os filhos.
Mas os sobrinhos cresceram e cada qual tomou o seu rumo, a tata aposentou e foi morar em Minas Gerais com o filho e com a nossa mãe, mas passado alguns anos a mãe quis voltar para São Paulo mais especificamente para a cidade onde alguns filhos estavam residindo, e foi assim que a Ani veio para a grande Jundiaí e se estabeleceu ate seus últimos dias

(continua no próximo post)

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

A IRMÃ AUTORITARIA - PARTE 14

A ultima vez que a vi foi no casamento da minha sobrinha, ela olhou para mim e fez um gesto de amizade, fui ate ela a abracei e foi só, um vaso quebrado nunca mais será belo, mesmo que todos os seus pedaços sejam encontrados e colados não  será como antes, foi o que aconteceu entre nos na hora em que ela me expulsou da sua casa, quebrou o vaso da nossa amizade e nada vai conseguir refazer o que foi lindo um dia.
Hoje recordo de varias coisas, essa irmã tem bom coração e gosta de ajudar a família, mas se intromete demais na vida dos familiares e com seu jeito autoritário acaba obrigando as pessoas a fazerem tudo do jeito que ela quer e nem sempre o modo dela é o melhor para alguém.
Ate mesmo no porcelanato que escolhi para meu apartamento ela se intrometeu, eu queria comprar
um de excelente marca lindo que estava em oferta por um preço imperdível, mas ela falou tanto nos meus ouvidos que acabei comprando outro bem mais caro e me arrependo ate dias de hoje
Outro fato que eu detestava era ir com ela aos supermercados fazer compras, ela levava um dia inteirinho, comprava um tanto aqui outro tanto acola e lá se ia um dia, mas ela sempre dava um jeito de me enganar falando que ia ter um tal evento e a abestalhada aqui caia na conversa dela, mas uma vez eu consegui escapar, falei que não estava bem e peguei um ônibus de volta para casa.
quero encerrar aqui o depoimento da irmã autoritária, sei que mais tarde terei que relatar mais alguma coisa sobre ela, mas no momento quero passar para a irmã mais velha, depois para o irmão casula e a seguir sobre meus pais.

roseasant

sábado, 13 de julho de 2019

A IRMÃO AUTORITÁRIA - PARTE 13

Depois dessa ``audiência´´ eu falei para a Soni que nem valia mais a pena levar a Ani para passar o mês com a Elise, pois ela tinha deixado bem claro que não queria ajudar nos cuidados da irmã doente.
Só que eu também estava ficando doente, quando sou magoada, humilhada, não consigo responder,  mas aquilo vai me consumindo e eu me encho de ódio por aquela pessoa e penso em mil e uma maneira de vingança, mas não faça nada.
Comecei a ficar depressiva novamente, procurei ajuda medica mas aqui na cidade só pessoas em surto conseguem atendimento psiquiátrico, e a medica clinica geral geral não quis me receitar antidepressivos.
Falei pessoalmente com a Soni que eu estava entrando em depressão e sem condições de continuar
cuidando da Ani, como de costume ela ouviu mas não disse nada, ficou o dito pelo não dito, então busquei ajuda com meu filho e ele se dispôs a falar com s Soni.
Foi marcado outra reunião em minha casa, veio ela com um dos filhos, e desta vez ela ouviu e recusou tudo que meu filho propôs, como mês sim mês não que a tata  ficasse numa casa de repouso ate eu poder me tratar e melhorar da depressão...
- não vamos internar a tata...
- mas seria ate minha mãe melhorar, depois ela volta a ficar com a tata, só que no momento ela esta sem condições...
- tudo bem, a gente se vira e ajuda a mãe, mas internar a tata não...
Depois dessa reunião cortaram relações conosco, não soube mais nada a não ser pelo Facebook onde apareciam todos felizes junto com a tata, depois de alguns meses o Igor através de processos ganhou direito as visitas todo ultimo sábado do mês, ele ia busca-la pela manha e entregava por volta das 17h, entrei em entendimento com ele, e ele passou a levar a mãe nos dias de visita para minha casa, almoçávamos juntos e saiamos com ela para  passear, depois ele a levava de volta para a Soni.
E assim foi por algum tempo, um dia meu filho encontrou com a Soni e um dos filhos e resolveu ir cumprimentar, ela se mostrou assustada a principio, e meu filho notou que a tata não estava com eles, conversaram algum tempo e foram embora, meu filho comentou este fato comigo, mas achei que a tata tinha ficado com alguém em casa.
Passou mais dois meses, o meu ultimo almoço com minha irmã e sobrinho foi no ultimo sábado de janeiro de 2019, e já deixamos combinado o próximo almoço para ultimo sábado de fevereiro.
Faltavam poucos dias para o final do mês, e eu já estava pensando no almoço que ia fazer para receber minha irmã e meu sobrinho, liguei meu computador e a primeira noticia no Facebook que li foi um post do meu sobrinho mais velho lamentando a morte da tata, eu não acreditei, ela me pareceu bem dentro dos limites da doença dela, ainda estava andando mas não reconhecia ninguém, falava enrolado, ria sem motivo, precisava de ajuda para levantar, ir no banheiro, e andava com apoio.
 Mas logo o sobrinho ligou para comunicar o óbito, mas foi mais para me pedir para ir ate o cemitério
e marcar o enterro, pois o irmão caçula não conseguiu porque o tumulo esta em meu nome e só eu poderia marcar o sepultamento.
Fui no cemitério e já estava tudo acertado, só faltava eu assinar, então eu entendi que eles queriam fazer tudo no surdina e não me comunicar.
Vou terminar este relato num próximo post, pois ainda tenho muito para contar antes de encerrar com a irmã autoritária.

(continua no próximo post)

quarta-feira, 12 de junho de 2019

A IRMÃ AUTORITÁRIA - PARTE 12

(neste post vou falar mais da irmã ignóbil do que da irmã autoritária, mas é necessário para prosseguimento e entendimento dos fatos)

Apesar dos pesares eu gostei do acordo, pois cada uma de nos ficaria com a irmã doente por um mês a cada dois meses dando mais tempo para descansar, cuidar dos próprios problemas e outras coisas, mas como eu mencionei no post anterior, quando fui levar a Ani para a Elise a recepção foi fria e raivosa, ela sequer me recebeu gritando para a filha atender a campainha porque não queria ``ver essa gente´´
Passei o plantão para a Jan e sai dali o mais rápido possível pensando que aquele acordo não iria longe, e não foi mesmo, eu estava trabalhando, saia de casa as 6:30 da manha e retornava as 18:30 da noite, essa irmã trabalha 12/36 diurno, então dia sim dia não ela vai para o serviço com finais de semana totalmente livre, e a filha é professora e trabalha meio período na parte da manhã numa escola.
No acordo ficou acertado que uma cuidadora de idosos ficaria na casa de quem fosse o responsável pela irmã doente naquele mês, foi sem problemas para mim, a profissional muito simpática logo ganhou a confiança da Ani e a minha, ela chegava sempre as 6:20 da manha, esperava a Ani acordar ministrava a medicação e servia o cafe da manha
para ela, dava todos os cuidados de higiene e conforto e a levava para passear pelo condomínio, ela também lavava a louça para mim, cozinhava e fazia ate alguns servicinhos de limpeza como varrer, por a roupa na maquina etc.
Eu estava bastante feliz com o arranjo, mas da parte da Elise logo vieram reclamações absurdas como:
- a moça quebrou minha cafeteira!
- a moça quebrou vários copos!
- a moça rasgou o meu capacho!
Eu pensava com meus botões...
- só se a cuidadora tiver pés de ferro para conseguir rasgar um capacho...
Para quem não sabe capacho é aquele tapete grosseiro de material resistente e cerdas duras que colocamos na porta de entrada para limpar os sapatos antes de entrar, então é praticamente impossível que uma pessoa consiga rasgar um capacho por apenas limpar os sapatos nele 
A Elise ficou com a tata por apenas duas vezes, um belo dia procurando correspondência na minha caixinha de correios encontrei uma intimação com dia e hora marcado para uma audiência de conciliação, logo fiquei sabendo que todos os irmãos também tinham  recebido inclusive o filho da Ani.
Eu não fui, a Soni não foi, mas meu sobrinho filho da Ani e o Edu foram, o assunto: a Elise alegava não ter condições de ajudar a cuidar da Ani, porque? porque ela trabalhava, a filha trabalhava, e ela não gostava de estranhos em sua residencia.
Na audiência seguinte eu fui, e quando ela argumentou que trabalhava eu a lembrei que eu também estava trabalhando e falei sobre a promessa que ela tinha feito de parar de trabalhar quando completasse 60 anos (ela já tinha completado a vários meses) e ai sim ajudaria nos cuidados
da irmã.
Mas ela veio com essa...
- você já conseguiu tirar a sua escritura?
- não, por isso voltei a trabalhar...
- pois é, eu também não...
Preferi ficar quieta mas depois me arrependi, sou aposentada, mas a minha aposentadoria minguou muito e mal consigo pagar meu condomínio,  tudo que consegui fazer para mudar foi instalar o piso (o apartamento veio sem piso) e alizar o teto que foi entregue com um chapisco grosseiro, mas ela não, fez tudo que queria desde rebaixar o teto com drywall colocando sopts próprios, pintura total, parte elétrica, lustres, eletrodomésticos novos como geladeira, fogão, planejados na cozinha sala e quartos, balcão e box blindex nos banheiros etc, então ela mudou com o apartamento completamente pronto, mas eu não, eu só fui fazer meus armários planejados e apenas na cozinha depois de uns 3 anos que estava morando nesse condomínio, e o box blindex fiz porque peguei metade do decimo terceiro, quanto aos restante está assim, a geladeira é a mesma de 11 anos só puxei tomada 210V para ela, a maquina de lavar fui forçada a trocar porque a energia aqui em Jundiaí é 210V, mas no condomínio é 127V, a maquina de lavar era muito antiga e barulhenta e estava funcionando com um
transformador enorme, parcelei a nova em 12 vezes no cartão, não fiz planejados nos quartos que estão todos com moveis antigos, então ela não tem argumentos para falar que ainda não conseguiu fazer a escritura, eu duvido muito, pois ela recebe a aposentadoria e o salario porque continuou trabalhando, e a filha trabalha e tem um ganho bem razoável, mas o meu maior problema e que na hora alem de não querer provocar uma cena degradante, não consigo responder, e só vou pensar no que poderia ter dito depois, ai eu me xingo, me recrimino e fico remoendo o assunto por dias a fio, e este até dias de hoje esta entalado na minha garganta. 

(continua no próximo post)

sábado, 1 de junho de 2019

A IRMÃ AUTORITÁRIA - CAPITULO 11

Conforme vou escrevendo acabo relembrando fatos importantes sobre essa irmã, um deles foi depois do falecimento do meu pai, ela quis tomar a frente de um sitio no município de Jarinu/SP, e resolveu que íamos cuidar para em finais de semana nos reunirmos para fazer churrascos, aniversários ou qualquer outras datas festiva.
A primeira coisa que ela fez foi construir um platô atras da casa para os sobrinhos jogarem bola, ela contratou a escavadeira acertou o preço e não avisou ninguém, depois de concluído o platô ai que ela foi falar com os outro irmãos, eu com meu gênio doce paguei o valor dividido em cinco partes sem reclamar, mas os outros irmãos não gostaram nem um pouco...
- como assim você toma uma decisão sem falar com a gente? todos nos somos proprietários e tudo que for relacionado com o sitio tem que ser conversados antes com todos os herdeiros
- ....................................(não recordo a resposta dela)
- e se a gente não tem o dinheiro agora, como é que fica?
- .....................................(não recordo a resposta dela)
- você não pode decidir por todo mundo
Ficou uma situação deveras constrangedora, mas ela aprontou mais uma, passado algum tempo ela
recebeu uma boa oferta pelo sitio (acredito que ela deveria estar procurando por algo parecido e encontrou) uma troca por um sobrado no centro da cidade, ela me convidou para ir visitar o imóvel, eu gostei muito, um sobrado grande e espaçoso com um belo quintal,  o proprietário gostou do sitio e ofereceu uma troca pela casa dele e mais uma boa moto, era um bom negocio.
Mas precisaria fazer a escritura do sitio no nome dos cinco herdeiros, ela resolveu ir cartório de imoveis em Atibaia e deu entrada na papelada pagando com cheque, como sempre eu não reclamei e dei logo a minha parte para ela, ai ela foi para São Paulo falar com os outros irmãos, e foi um ``pega para acabar´´ mais uma vez a Soni ouviu o que quis e o que não quis...
- eu não concordo, você não deveria ter tomado essa decisão sem antes falar com a gente.
- mas o sobrado é muito bom e fica no centro da cidade, vende mais fácil...
- mas você não pode tomar decisões sozinha Soni, ter que ser de acordo com todos nos...
- eu não tenho dinheiro agora e não concordo com a troca (cada irmão falando)
E assim ela voltou para a cidade em que morávamos e foi correndo ate Atibaia tentar desfazer tudo e pegar o cheque de volta, deu muita sorte, ainda não tinham depositado o cheque dela e ela conseguiu cancelar a escritura, depois saiu ate um boato na família de que ela estava querendo pegar o sobrado para ela, mas isso não é verdade, essa minha irmã é autoritária e peca por muita coisa, mas não é espertalhona querendo levar vantagem em cima dos irmãos, ela erra por querer se impor, por querer tomar a frente em tudo sem questionar se todos estão de acordo, eu tenho um irmão que pisa em qualquer pessoa da família para tirar vantagem financeira ou material, este também sera lembrado aqui no blog.

(continua no próximo post)

sábado, 4 de maio de 2019

A IRMÃ AUTORITÁRIA - PARTE 10

Depois do entrevero na residencia dessa irmã em que ela me expulsou aos gritos, a angustia tomou conta de mim, meu filho me aconselhou a ligar e pedir desculpas, eu me desculpar porque se foi ela que me agrediu verbalmente e me expulsou? e assim fiz, mas a amizade que tínhamos antes não voltou, um clima estranho se abateu sobre nos, eu estava muito ressentida com ela, passei a dividir os cuidados da irmã doente, sempre que fosse preciso ela ficava comigo, mas mesmo assim ainda não estava bom, foi feito uma reunião entre as irmãs em que a mais jovem perguntou o que ela queria em relação a Ane...
- mas o que é que você realmente quer Soni?...(pergunta da Elise)
- eu quero que ela tenha contato com todas as irmãs...
- então se todas estiverem de acordo vamos estabelecer que cada uma de nos ficará um mês inteiro
com ela, vencendo esse mês então passa para a outra e assim por diante, você concorda Rose?
- eu concordo, e você Soni?
- para mim esta bom, e no decorrer desse mês quem estiver com ela assume a responsabilidade sobre tudo, medico, remédios, documentos...
- ok, eu no momento trabalho e não posso ajudar, mas quando eu completar sessenta anos vou aposentar de vez, então vou partilhar no revesamento dos cuidados da tata, mas sempre que possível em finais de semana ou feriados eu pego ela...
E assim foi feito, passou o tempo e acabei
arrumando emprego, fiquei muito feliz, pois na minha idade emprego é muito difícil, mas como
ficaria os meses em que devo ficar com a tata? Fui falar com a Soni, sobre a necessidade que eu tinha do emprego, pois o que ganho como aposentada mal estava dando para pagar o condomínio, e eu queria trabalhar tempo suficiente para pelo menos conseguir  tirar a escritura que se não me engano estava em torno de dez mil reais.
- sobre tudo isso que te expliquei Soni, o que poderia ser feito no mês que a tata deve ficar comigo seria colocar ela numa casa de repouso com os finais de semana livre para ficar comigo, eu preciso desse emprego para pelo menos conseguir tirar a escritura do meu apartamento.
- vou pensar sobre isso.
Só que o pensar dela foi logo entrar em contato com a outra irmã acredito que por telefone e derramar
tudo com os argumentos dela, o que resultou numa nova confusão, esta outra irmã (Elise) achou melhor a ideia dela fica em casa de repouso por cinco dias de cada semana com os sábados e domingos livre quando fosse o mês dela estar comigo, ela veio para Jundiaí, foi feita outra reunião entre nos em que eu fui maltratada e até impedida de falar, mas no dia seguinte a Elise foi com um dos sobrinhos visitar varias casas de repouso e encontrou uma de acordo com a situação financeira, mas a Soni com os três filhos recusaram veementemente a casa de repouso, a resposta foi...
- não vamos internar a tata em casa de repouso de jeito algum, vamos cuidar dela ate o fim...
Foi criado outro impasse, o que fazer? pois bem, como os laços entre as três irmãs ficou seriamente estremecido os primos criaram um grupo no watssap só para eles sem interferência das mães, e através desse grupo iriam tentar resolver a situação.
Fizeram varias reuniões entre eles, e chegaram a conclusão que uma cuidadora de idosos de uma empresa idônea iria resolver a situação, mas se eu estaria trabalhando todos os dias e poderia receber a profissional para cuidar da Ane  no tempo eu que estaria fora trabalhando, então a Elise que trabalhava 12/36 diurno (dia sim dia não) mais a filha que trabalhava meio período também poderiam arcar com as mesmas responsabilidade que eu.
A sobrinha não gostou, teve protestos dela e da mãe, mas no final assim foi acertado, fui a primeira a ficar com a tata e a cuidadora de idosos que começou fazendo horário das 6:30 da manhã ate as 18:30 da tarde hora em que eu chegava em casa.
Quando terminasse o meu mês com a tata, eu deveria leva-la para a Elise e sua filha, as duas moram no mesmo condomínio que eu mas não na mesma torre, e la fui eu para a torre delas com a irmã doente, assim que acionei a campainha escutei a Elise gritar:
- atende ai filha, eu nem quero ver essa gente...
Minha sobrinha atendeu, cumprimentei minha irmã que olhou para mim com olhar de desprezo e insatisfação...
- recebe ai jana...
Passei o ``plantão mensal´´ para minha sobrinha, todas as medicações, dia em que deveria ser retirado novamente, consultas, cartão de debito, de medico, e todos os acontecimentos importantes ocorridos durante o mês anotados em caderneta no tempo em que a tata ficou comigo, sai de la sentindo o clima pesado que se instalou pensando...
- isso não vai dar certo

(continua no próximo post)

domingo, 28 de abril de 2019

A IRMÃ AUTORITÁRIA - PARTE 9

Voltando ao passado lembrei de fatos que ainda não contei, eu aposentei como auxiliar de
enfermagem, trabalhava numa grande empresa, Interclinicas, salário muito bom, eu não quis deixar o emprego e mesmo aposentada trabalhei mais nove anos e teria continuado se a empresa não tivesse decretado a falência.
No decorrer desse tempo minha irmã Soni caia matando em cima de mim porque eu estava aposentada e continuava trabalhando...
- você deve sair do hospital Rose, já aposentou, agora é hora de aproveitar a vida...
- eu ainda tenho muitos sonhos, quero continuar trabalhando enquanto for possível...
- deixa disso, sai do hospital e vamos viajar por ai...
Toda vez que nos encontrávamos ela batia na mesma tecla e ficava falando nisso o tempo todo, mas desta vez não obedeci e continuei na empresa até que infelizmente por falência foi passado para outra empresa medica, os profissionais antigos aos poucos foram despedidos sendo substituídos por novos profissionais que entraram ganhando menos da metade do salario que nos ganhávamos.
Quem gostou muito foi minha irmã, mas estranhamente pouco depois de perder o emprego ela veio com uma novidade...
- Rose, conheci uma senhora que tem uma oficina de costura e está precisando de costureiras, eu falei de você e ela me passou o endereço para você ir la falar com ela...
- mas Soni, eu não sou costureira, eu só faço concertos, roupas de cama mesa e banho e almofadas...
- ah mas você tem maquinas industriais...
- tenho, mas não sou costureira, eu apenas gosto de costurar...
- mas vai la falar com a dona da oficina...
Ela falou tanto, mas tanto que acabei pegando o endereço e fui la...
- era um salão grande em cima de uma casa com varias maquinas industriais, retas, overloques, galoneiras e elastiqueiras entre outras, a proprietária me levou até uma industrial reta e colocou um saco de panos que não compreendi muito bem o que deveria fazer, depois ela me conduziu ate uma overloque industrial e  levou outro saco de panos para mim, fiz algumas coisas e levei para ela ver, achei que era um teste, mas na verdade já era para eu trabalhar mesmo ganhando por produção e sem  salario fixo, arrumei uma desculpa e cai fora, mas dei uma pequena bronca na minha irmã...
- você queria tanto que eu saísse do emprego onde eu trabalhava 12/36 noturno com um bom salario alem do adicional noturno, e agora me arruma uma oficina de costura chinfrinha para eu trabalhar todo os dias e ganhar por produção? fala sério Soni!...
Esta não foi a primeira roubada em que ela me arrumou, eu sou uma pessoa curiosa e me interessei por computadores, e assim que consegui comprar fiz um cursinho de informatica básica, o computador deu alguns problemas, manutenção cara, então me interessei por hardware e fiz curso de montagem e manutenção de computadores.
Terminei o curso, ela chegou para mim e falou...
- Rose, o filho da sua ex-vizinha esta com problemas no computador, eu falei que ia pedir para você ir
la ver...
- Mas eu mal acabei o curso de hardware não tenho experiencia alguma, como posso ir la resolver um problema logo de cara...
- se você não começar não vai aprender...
Esta minha ex-vizinha foi da primeira casa que construí, quando construí a segunda no mesmo bairro deixei minha irmã morar nessa até que ela terminasse de construir a casa dela o que levou mais ou menos seis anos.
E la fui eu passar vergonha, o SO do meu computador era o Windows Milênio, nos aprendemos na escola utilizando o Windows 98, o computador do menino tinha o Windows XP que na época era novidade no mundo da informatica, eu não soube nem ligar quanto mais resolver o problema, dei desculpas fracas e cai fora morrendo de vergonha falando comigo mesma...
- esta foi a ultima que ela me arrumou...

(continua no próximo post)

sábado, 30 de março de 2019

A UNICA VITIMA

Ela foi embora para sempre, mas seus últimos oito anos de vida foram motivo de disputa jurídica por alguns membros da família. Ana ou Tatinha como era conhecida, a mais velha de cinco irmãos, aquela que se preocupava com todos, o braço direito de nossa mãe.
Ainda criança começou a trabalhar em casas de famílias, com alguns patrões foi bem tratada, mas com outros sofreu muito, depois conseguiu emprego em grandes empresas, com o passar do tempo e estudo foi subindo degraus até se tornar uma analista farmacêutica, em seu ultimo empregou ficou por mais de vinte anos.
Adotou legalmente um bebe com dois meses de vida, esse filho se tornou a razão de seu viver, o seu
motivo para continuar neste mundo, fez tudo por ele e para ele, deu do bom e melhor, carinho nunca faltou, e a pequena criança cresceu e se tornou um belo rapaz.
Antes do falecimento de nossa mãe ela já demostrava alguns sinais alarmantes de esquecimento, depois que a nossa mãe partiu a doença (Alzheimer) se manifestou com mais intensidade sendo diagnosticada por medico neurologista.
Eu e a Soni nos unimos para cuidar dela, íamos quase que diariamente em sua casa, o filho pediu demissão do emprego e trancou a matricula na faculdade para cuidar dela apesar dos meus protestos...
- Filho, não faça isso, deixa que eu e a sua tia cuidamos dela, nos vamos revesar dia a dia...
- Ah tia, eu quero cuidar da minha mãe...
Ai começaram os problemas, a Soni começou a implicar com o sobrinho alegando que ele não estava cuidando direito da mãe...
- Ele tem apenas vinte e dois anos, nunca teve responsabilidade na vida, a tata nunca deu limites para ele, nos devemos orienta-lo...
Mas não adiantava, ela continuou implicando e ameaçando levar a irmã embora...
- eu vou pegar a minha irmã e levar para a minha casa...
Eu só ouvia sem responder, gostava o mesmo tando dos dois e não queria ficar nem do lado de um nem do lado do outro, o sobrinho cobrava de mim uma posição, mas continuei em cima do muro, ate que um dia ele chegou para mim e falou...
- eu não considero mais você como minha tia, e não vou mais falar contigo...
Fiquei angustiada, pois amava meu sobrinho, ele realmente não falou mais comigo, e passou a me ignorar.
As confusões aumentaram, ele contratou uma cuidadora de idosos, desligou o telefone e ficamos sem
contato com a nossa irmã, a Soni por sua vez procurou assistente social e ficou acertado que aos sábados a Tata ficaria com as irmãs, mas a Soni mudou de cidade e eu fiquei incumbida de pega-la aos finais de semana...
Rose, você pega a Tata sábado?
- Pego sim...
Só que não foi apenas um sábado, foram todos os sábados, e cada vez que eu chegava la para pegar minha irma eu recebia diversas formas de humilhações por parte o meu sobrinho, eu ligava para a Soni reclamando e não obtinha nem uma palavra dela...
- Soni, eu não vou pegar mais a Tata, pois todos os sábados o Igor me humilha...
- sem resposta
Chegava o outro final de semana e eu me sentia na obrigação de ir pegar minha irmã novamente, e novamente era humilhada, foi mais por esse motivo que decidi mudar de cidade também, vendi minha casa e já tinha ate escolhido o condomínio que desejava morar, mas por insistência da minha irmã acabei comprando num empreendimento novo e precisei morar com ela por nove meses ate o prédio ser entregue.
Foi um período difícil para mim que estava acostumada a morar sozinha, e neste período quem passou a pegar a Tata nos finais de semana foram os filhos da Soni,  com o tempo a Ane foi ficando mais e mais dias com a Soni, eu cuidava dela preparava as caixas de medicação preparava o banho para ela, etc.
Passei a acompanhar a Soni nas audiências do fórum, pois ela tinha entrado com processo para pegar a curatela da nossa irmã.
Passado algum tempo e com as dificuldades do dia a dia o Igor resolveu abrir mão da curatela da mãe
e levou a Tata com mala e tudo para o condomínio da Soni, esse dia jamais esquecerei, ela sendo tirada a força da sua casa, chorando, sendo abandonada pelo filho que tanto amava, a Soni com suas falsas promessas  afirmou que sempre que ela quisesse a levaria para visitar sua casa, promessa nunca cumprida, pois foram varias vezes que a Ane pediu para voltar para casa e não foi atendida.
O tempo passou, finalmente mudei para meu apartamento, mas ia diariamente visitar minhas irmãs, a Soni começou a reclamar mas não dei importância ate acontecer o fato do vazamento do gás que acabou em desentendimento e ela me expulsou de sua casa, depois de algum tempo entramos em entendimento e passei também a cuidar da nossa irmã revesando mês a mês com ela, a doença da nossa irmã foi piorando, passou alguns anos recebi mensagem do meu  sobrinho querendo se reconciliar comigo, aceitei e marquei um almoço no mês em que a tata estava comigo, ela o reconheceu.
Ele havia casado e a esposa estava no quinto mês de gestação, quando nasceu minha sobrinha neta levei minha irmã para conhece-la escondida da Soni (ela estava passando o mês comigo)
Outra cena que jamais esquecerei, ela chorando emocionada com a pequena no colo perguntando...
- é minha neta mesmo? muito linda...
- e sua neta Tatinha...
Depois em todos os meses que a Tata passava comigo o Igor vinha sempre passar um final de semana em minha residencia sem a Soni saber, com o tempo ele entrou com processo para conseguir direito de visitar a mãe e passou a pega-la no ultimo sábado de cada mês com ordem judicial.
Num post futuro contarei o caso da irmã mais nova que não quis ajudar no revesamento de cuidados de nossa irmã, senão o post vai se alongar muito, o caso é que fiquei doente, sou depressiva desde criança, a doença voltou e fiquei sem condições de cuidar da Tata, pois com o avanço da doença ela
se tornou agressiva e recusava banhos e medicação,  falei varias vezes com a Soni sobre isso mas como sempre ela não dava atenção, foi preciso eu pedir intervenção do meu filho que marcou reunião e decidiu que eu só voltaria a cuidar da Ane quando eu melhorasse da minha saúde mental.
Durante vários meses não tive mais noticias sobre a Tata, então combinei com meu sobrinho dele passar as visitas de sábado comigo, e foi assim que vi minha irmã junto com o Igor num almoço em minha casa  por duas vezes antes do seu falecimento.
Em 19/03/2019 no período da manhã recebi a noticia do seu falecimento, foi triste ver aquela mulher
decidida e forte terminar seus dias tão frágil num caixão branco cheio de flores num velório de quase trinta e seis horas, durante sepultamento percebi desentendimento entre a família da Soni com a irmã mais nova e com o filho da falecida, fiquei sabendo por cima do assunto, quando fiquei doente sugeri que a Ani ficasse numa casa de repouso nos meses em que devia ficar comigo, mas  a Soni e família recusaram veementemente...
- de forma alguma vamos deixar a Tata numa casa de repouso...
Pois bem, como diz um ditado ``mentira tem perna curta´´ tanto eu como o restante da família acreditamos como  foi contado a estoria pela Soni e pelos filhos, que a Ani passou mal em casa e foi levado para o hospital onde veio a falecer...
MENTIRA! ela estava internada numa casa de repouso, não em Jundiaí onde moramos, mas em
Campo Limpo Paulista onde mora o filho dela, e foi la que ela ou passou mal ou faleceu sendo levada para o hospital da cidade.
Então chegamos a conclusão que eles buscavam a Tata na casa de repouso nos sábados de visita do filho sendo que nem era preciso ele se locomover ate Jundiaí para pegar a mãe que estava internada mais ou menos próximo a casa dele.
Fica a saudade, doce saudade daquela que cuidou dos irmãos pequenos, da tia amorosa que não ignorou nenhum sobrinho, e da mãe que amou seu filho ao extremo, a vitima de três irmãs, a autoritária que quis a todo custo a curatela, a que ficou em cima do muro (eu) e a que colocou fogo mas não quis ajudar ...