sábado, 30 de março de 2019

A UNICA VITIMA

Ela foi embora para sempre, mas seus últimos oito anos de vida foram motivo de disputa jurídica por alguns membros da família. Ana ou Tatinha como era conhecida, a mais velha de cinco irmãos, aquela que se preocupava com todos, o braço direito de nossa mãe.
Ainda criança começou a trabalhar em casas de famílias, com alguns patrões foi bem tratada, mas com outros sofreu muito, depois conseguiu emprego em grandes empresas, com o passar do tempo e estudo foi subindo degraus até se tornar uma analista farmacêutica, em seu ultimo empregou ficou por mais de vinte anos.
Adotou legalmente um bebe com dois meses de vida, esse filho se tornou a razão de seu viver, o seu
motivo para continuar neste mundo, fez tudo por ele e para ele, deu do bom e melhor, carinho nunca faltou, e a pequena criança cresceu e se tornou um belo rapaz.
Antes do falecimento de nossa mãe ela já demostrava alguns sinais alarmantes de esquecimento, depois que a nossa mãe partiu a doença (Alzheimer) se manifestou com mais intensidade sendo diagnosticada por medico neurologista.
Eu e a Soni nos unimos para cuidar dela, íamos quase que diariamente em sua casa, o filho pediu demissão do emprego e trancou a matricula na faculdade para cuidar dela apesar dos meus protestos...
- Filho, não faça isso, deixa que eu e a sua tia cuidamos dela, nos vamos revesar dia a dia...
- Ah tia, eu quero cuidar da minha mãe...
Ai começaram os problemas, a Soni começou a implicar com o sobrinho alegando que ele não estava cuidando direito da mãe...
- Ele tem apenas vinte e dois anos, nunca teve responsabilidade na vida, a tata nunca deu limites para ele, nos devemos orienta-lo...
Mas não adiantava, ela continuou implicando e ameaçando levar a irmã embora...
- eu vou pegar a minha irmã e levar para a minha casa...
Eu só ouvia sem responder, gostava o mesmo tando dos dois e não queria ficar nem do lado de um nem do lado do outro, o sobrinho cobrava de mim uma posição, mas continuei em cima do muro, ate que um dia ele chegou para mim e falou...
- eu não considero mais você como minha tia, e não vou mais falar contigo...
Fiquei angustiada, pois amava meu sobrinho, ele realmente não falou mais comigo, e passou a me ignorar.
As confusões aumentaram, ele contratou uma cuidadora de idosos, desligou o telefone e ficamos sem
contato com a nossa irmã, a Soni por sua vez procurou assistente social e ficou acertado que aos sábados a Tata ficaria com as irmãs, mas a Soni mudou de cidade e eu fiquei incumbida de pega-la aos finais de semana...
Rose, você pega a Tata sábado?
- Pego sim...
Só que não foi apenas um sábado, foram todos os sábados, e cada vez que eu chegava la para pegar minha irma eu recebia diversas formas de humilhações por parte o meu sobrinho, eu ligava para a Soni reclamando e não obtinha nem uma palavra dela...
- Soni, eu não vou pegar mais a Tata, pois todos os sábados o Igor me humilha...
- sem resposta
Chegava o outro final de semana e eu me sentia na obrigação de ir pegar minha irmã novamente, e novamente era humilhada, foi mais por esse motivo que decidi mudar de cidade também, vendi minha casa e já tinha ate escolhido o condomínio que desejava morar, mas por insistência da minha irmã acabei comprando num empreendimento novo e precisei morar com ela por nove meses ate o prédio ser entregue.
Foi um período difícil para mim que estava acostumada a morar sozinha, e neste período quem passou a pegar a Tata nos finais de semana foram os filhos da Soni,  com o tempo a Ane foi ficando mais e mais dias com a Soni, eu cuidava dela preparava as caixas de medicação preparava o banho para ela, etc.
Passei a acompanhar a Soni nas audiências do fórum, pois ela tinha entrado com processo para pegar a curatela da nossa irmã.
Passado algum tempo e com as dificuldades do dia a dia o Igor resolveu abrir mão da curatela da mãe
e levou a Tata com mala e tudo para o condomínio da Soni, esse dia jamais esquecerei, ela sendo tirada a força da sua casa, chorando, sendo abandonada pelo filho que tanto amava, a Soni com suas falsas promessas  afirmou que sempre que ela quisesse a levaria para visitar sua casa, promessa nunca cumprida, pois foram varias vezes que a Ane pediu para voltar para casa e não foi atendida.
O tempo passou, finalmente mudei para meu apartamento, mas ia diariamente visitar minhas irmãs, a Soni começou a reclamar mas não dei importância ate acontecer o fato do vazamento do gás que acabou em desentendimento e ela me expulsou de sua casa, depois de algum tempo entramos em entendimento e passei também a cuidar da nossa irmã revesando mês a mês com ela, a doença da nossa irmã foi piorando, passou alguns anos recebi mensagem do meu  sobrinho querendo se reconciliar comigo, aceitei e marquei um almoço no mês em que a tata estava comigo, ela o reconheceu.
Ele havia casado e a esposa estava no quinto mês de gestação, quando nasceu minha sobrinha neta levei minha irmã para conhece-la escondida da Soni (ela estava passando o mês comigo)
Outra cena que jamais esquecerei, ela chorando emocionada com a pequena no colo perguntando...
- é minha neta mesmo? muito linda...
- e sua neta Tatinha...
Depois em todos os meses que a Tata passava comigo o Igor vinha sempre passar um final de semana em minha residencia sem a Soni saber, com o tempo ele entrou com processo para conseguir direito de visitar a mãe e passou a pega-la no ultimo sábado de cada mês com ordem judicial.
Num post futuro contarei o caso da irmã mais nova que não quis ajudar no revesamento de cuidados de nossa irmã, senão o post vai se alongar muito, o caso é que fiquei doente, sou depressiva desde criança, a doença voltou e fiquei sem condições de cuidar da Tata, pois com o avanço da doença ela
se tornou agressiva e recusava banhos e medicação,  falei varias vezes com a Soni sobre isso mas como sempre ela não dava atenção, foi preciso eu pedir intervenção do meu filho que marcou reunião e decidiu que eu só voltaria a cuidar da Ane quando eu melhorasse da minha saúde mental.
Durante vários meses não tive mais noticias sobre a Tata, então combinei com meu sobrinho dele passar as visitas de sábado comigo, e foi assim que vi minha irmã junto com o Igor num almoço em minha casa  por duas vezes antes do seu falecimento.
Em 19/03/2019 no período da manhã recebi a noticia do seu falecimento, foi triste ver aquela mulher
decidida e forte terminar seus dias tão frágil num caixão branco cheio de flores num velório de quase trinta e seis horas, durante sepultamento percebi desentendimento entre a família da Soni com a irmã mais nova e com o filho da falecida, fiquei sabendo por cima do assunto, quando fiquei doente sugeri que a Ani ficasse numa casa de repouso nos meses em que devia ficar comigo, mas  a Soni e família recusaram veementemente...
- de forma alguma vamos deixar a Tata numa casa de repouso...
Pois bem, como diz um ditado ``mentira tem perna curta´´ tanto eu como o restante da família acreditamos como  foi contado a estoria pela Soni e pelos filhos, que a Ani passou mal em casa e foi levado para o hospital onde veio a falecer...
MENTIRA! ela estava internada numa casa de repouso, não em Jundiaí onde moramos, mas em
Campo Limpo Paulista onde mora o filho dela, e foi la que ela ou passou mal ou faleceu sendo levada para o hospital da cidade.
Então chegamos a conclusão que eles buscavam a Tata na casa de repouso nos sábados de visita do filho sendo que nem era preciso ele se locomover ate Jundiaí para pegar a mãe que estava internada mais ou menos próximo a casa dele.
Fica a saudade, doce saudade daquela que cuidou dos irmãos pequenos, da tia amorosa que não ignorou nenhum sobrinho, e da mãe que amou seu filho ao extremo, a vitima de três irmãs, a autoritária que quis a todo custo a curatela, a que ficou em cima do muro (eu) e a que colocou fogo mas não quis ajudar ... 

sábado, 16 de março de 2019

A IRMÃ AUTORITÁRIA - PARTE 8

Quando mudei da casa de meus pais para a minha casa própria a relação com minha mãe e meu irmão casula não eram das melhores, vou explicar essa situação num futuro post.
Eu estava ansiosa para mudar e ao mesmo tempo assustada, pois tudo seria novidade para mim, lembro do caminhão da mudança, muitas pessoas ajudando entre elas a Soni, depois de tudo colocado no caminhão a minha mãe se aproximou e entregou um pequeno vaso de planta, fomos embora, viajem de mais ou menos uma hora e meia e finalmente em casa. Meu pai
estava nos esperando e ajudou a descarregar a mudança e colocar tudo em lugar provisório, depois com tempo fui acertando cada coisa em seu lugar.
No dia seguinte meu cunhado Leo foi la com uma furadeira e instalou os armários de cozinha, instalou o fogão e o gás, e outras coisas, a Soni sugeriu que eu fizesse um churrasco no final da semana para comemorar a casa nova, eu gostei da ideia, mas ela queria que eu convidasse todo mundo até as pessoas com quem eu não tinha mais afinidades.
- vida nova Rose, precisa fazer as pazes com a família...
- Eu não sei se sou capaz...
- falei com a mãe ela vem se você a convidar...
- esta bem...
Ela me acompanhou ate o orelhão (não existia o celular na época e telefone convencional tinha que fazer inscrição e aguardar anos ate a instalação) liguei para a casa da minha mãe e depois de quatro anos sem falar com ela me esforcei e fiz o convite que ela aceitou, mas depois a Soni ficou no meu pé para eu convidar também nosso irmão caçula, eu disse...
- esse não vai dá, o que ele me fez ainda esta entalado na minha garganta, se ele quiser vir tudo bem, mas eu não vou falar com ele...
- vamos la Rose, deixe de tanto rancor...
- não vai dar mesmo...
Passaram alguns dias, e ela falou tanto me encheu tanto até que eu acabei por concordar...
- Vamos la Rose, o Edu só esta esperando você ligar...
- Mas eu já pedi para avisar que ele também está convidado...
- mas ele quer que você ligue, ele não sai de perto do telefone...
- esta bem, então vou ate o orelhão...
Ela fez questão de me acompanhar, dia chuvoso, ruas sem asfalto, barro escorregadio, e la fomos nos ate o orelhão, liguei e meio sem jeito falei com ele...
- Edu, estou te convidando para participar do churrasco que vou fazer na minha casa, você vem?
- não...
- ok...
Desliguei o telefone...
- Soni, você disse que ele ia aceitar se eu ligasse convidando, e ele me deu o maior passa fora...
- como assim? eu vou ligar para ele...
- não vai não, para mim chega, vamos embora...
Mas ela me infernizou ate que concordei...
- então liga...
Ela ligou e falou por mais ou menos dez minutos...
- esta tudo certo, vamos voltar pra casa...
Mas na verdade eu me senti mal, humilhada, e fiquei me perguntando porque eu sempre acabava fazendo tudo o que essa irmã queria...
- ela sempre me obriga a fazer coisas que não quero (em pensamento)
Com o tempo fui compreendendo o quanto essa irmã é autoritária, mas quem sempre acabava fazendo tudo o que ela queria era eu, e ela sabia disso.

(continua próximo post)

quarta-feira, 6 de março de 2019

A IRMÃ AUTORITÁRIA - PARTE 7

Contei para meu filho o acontecido, ele sugeriu que eu a procurasse tentasse resolver a questão, mesmo que eu tivesse que pedir desculpas...
- mas eu não fiz nada errado, porque eu deveria me desculpar?...
- mãe, alguém tem que dar o primeiro passo...
- mas porque sempre tem que ser eu?
Acabei concordando e depois de três dias do ocorrido liguei para a Soni...
- Soni, se eu falei alguma coisa que te ofendeu eu peço desculpas...
- eu é que peço desculpas, vem para cá, use os computadores do condomínio...
Passou mais algum tempo,  teve um evento na casa do meu sobrinho que é padre e fui convidada junto com meu filho e nora...
- ai esta a chance de você se entender com a tia mãe, não perca essa oportunidade...
Ate tentei, chegando la cumprimentei todos inclusive ela mas formalmente, não me senti a vontade na
presença dela e nem encontrei assunto  para puxar conversa, depois na hora de ir embora me despedi dela dando um tchau que acredito ela não tenha ouvido, pois um dos filhos a avisou...
- a tia esta te dando um  tchau...
Ela se virou pra mim e devolveu o cumprimento e só, depois em outra ocasião informei a ela por telefone que se preciso fosse poderia deixar a Ane comigo, e assim por dois períodos distintos cuidei da minha irmã por vinte dias mais ou menos.
A kombi da Ane ficou na minha vaga de estacionamento por mais ou menos um ano, mas por duas vezes foi comunicado para que os condôminos removerem os carros para outro estacionamento para que fossem realizados reparos de infiltração no estacionamento, pedi para um funcionário levar a kombi para o estacionamento de cima, mas por estar parada muito tempo a bateria não funcionou gerando problemas, pois tiveram que fazer os reparos com a kombi atrapalhando, eu já tinha pedido varias vezes anteriormente para a Soni arrumar outro estacionamento para o automóvel, mas como sempre ela nem dava resposta, então para que não aparecesse mais nenhum problema com a kombi sugeri a venda do mesmo,  ela queria falar com a advogada que cuidava do processo de curatela da nossa irmã para saber dessa possibilidade, pedi a ela que ligasse e marcasse uma consulta, mas a Soni muito teimosa  afirmou que não era necessário mesmo eu insistindo para que ela ligasse para o escritório de advocacia... 
- melhor ligar, não custa nada...
- não precisa, eu sou cliente ha muitos anos, vamos amanha cedo...
- marcamos de nos encontrar no dia seguinte no escritório, mas assim que cheguei la fui informada
pela secretaria que a advogada estava no fórum e o mais certo era ter ligado e marcado hora com ela...
- mas porque você não ligou primeiro?
- a minha irmã que é cliente e achou que não precisava, posso usar o banheiro?
Quando retornei do banheiro minha irmã havia chegado, e estava conversando com a secretaria...
- já informei para sua irmã que precisa marcar hora, se você quiser eu posso deixar agendado...
- ah eu quero sim...
- o assunto é dela, eu preciso vir?
- se for sobre o que ela me informou acredito que não...
Saímos do escritório com ela e sua cara de poucos amigos, no caminho ela começou a discutir comigo como se eu tivesse culpa da advogada não estar presente...
- mas eu pedi para você telefonar e agendar hora com a doutora Vivi, você que não quis alegando ser cliente antiga dela...
Ela fechou mais a cara e não falou mais nada, ao passar pela loja de embalagens resolvi entrar para comprar plastico bolha que uso muito para proteger as mercadorias que vendo pela internet e envio pelos correios...
- Soni, vou comprar plastico bolha aqui...
-  tchau...
Foi a resposta dela que sequer interrompeu os passos e foi embora sem ao menos olhar para mim....

(continua no próximo post)