segunda-feira, 17 de agosto de 2020

MINHA LINDA HELGA

 


Minha pequena, minha companheirinha de todos os momentos, eu a vi nascer, e vi morrer, hoje 17/08/2020 esta fazendo uma semana que você partiu e deixou meu coração amargurado, eu sabia que ia doer, mas não que ia doer tanto, eu te amei desde o primeiro momento, e amarei para todo o sempre, aquela criaturinha branca que pesava apenas 550gr que nasceu na minha casa com mais quatro irmãos e irmãs, quantas alegrias me deu, quanto carinho, quantos momentos felizes tivemos,e nos momentos de angustia sempre estava ao meu lado, como vou sobreviver sem você minha lindinha...

Dento de casa quando eu saia do alcance dos seus olhinhos redondos e negros logo ia me procurar, quando estava tomando banho deita-se ao lado do box sobre o tapetinho ate que eu terminasse meu banho, passeávamos pelo condomínio de manha cedido e ao anoitecer quando o movimento era menor, pois você queria brigar com qualquer cachorro que estivesse em nosso caminho não considerando seu diminuto tamanho. 

E agora minha pequena, com quem esta solitária mulher vai conversar, com quem vou falar meloso ameaçando bater na cuseliquinha??? (só de brincadeira)

- pela aí, pela aí que vai apanhar na cuselica, bem na cuseliquinha...

- vou papar a pancinha, to com fome de pancinha...

E eu beijava a sua barriguinha quente, isso era o ``papar pancinha´´

Quantas beijoquinhas eu lhe dava enquanto descia com você nos braços para passear pelo condomínio, e dentro de casa, eu passava o dia conversando e te mimando, agora estou só.

Minha pequena, você foi presente de ``Jesuzica´´ um presente lindo que veio para confortar meus dias, foi um empréstimo dos céus, e agora o céu reclamou você e te levou para longe de mim, foram 13 anos e 6 meses ao seu lado, tenho que agradecer a Deus esse tempo que passamos juntas, mas foi muito difícil ver você na mesa da veterinária sofrendo e  partindo aos poucos sem que eu pudesse fazer nada para você ficar, obrigada meu bebe, pelo tempo que você dedicou a mim...

Da sua mãezinha...

ROSELI 💓

quinta-feira, 16 de julho de 2020

AMIZADE AMIZADE NEGÓCIOS A PARTE - EMPATIA

Neste post vou relatar a empatia entre pessoas, que por bondade ou simplesmente amizade são capazes de ajudar, ceder, emprestar sem esperar retribuição alguma, mas quando precisam de algum favor se veem numa situação vexatória e levam um sonoro não na cara de alguém que muito auxiliou.

Eu li esta estória num post do Facebook e me impressionou muito, pois vivi algo semelhante. Respondi para esta pessoa relatando minha estória, e percebo que a falta de empatia não foi somente no meu caso ou no caso dela por uma resposta que recebi, segue os depoimentos abaixo:

Kadu Fernandes

Gente, há uns 6 meses atrás, meu vizinho, pediu a senha da minha internet.

Eu passei e pensei...

- Tranquilo, não custa nada, até porque eu me dou bem com ele. Ontem, eu estava chegando em casa e ele estava no portão.

Paramos e conversamos um pouco como sempre, quando ele me disse todo feliz que colocou Netflix. Eu então falei brincando...

 - ando trabalhando bastante, mal tenho tempo de ver TV, mas legal, depois me empresta a senha, para eu ver umas séries...

Então a esposa dele, que estava sentada na varanda, disse...

- Não tem como não, porque sou eu quem pago e não é para sair distribuindo por aí não...

Reinou um silêncio total!!!

Ele, sem graça, pediu desculpas, e eu disse pra deixar para lá. Seguimos falando de outro assunto. E eu entrei pra minha casa.

Logo depois, a esposa do meu vizinho saiu chamando por ele, parecia nervosa, dizendo que a tv não estava funcionando. Ele entrou, e eu fiquei ali olhando da janela.

Depois de alguns minutos ele e a esposa saíram e vieram me chamar e disseram que a net não estava funcionando, que a senha não entrava...

Virei pra eles e disse...

- eu troquei a senha, pois sou eu que pago e não é para sair distribuindo por aí"...

A esposa ficou vermelha e tentou argumentar, eu logo disse...

- Senhora, vamos fazer assim, eu fico com minha internet e vocês com sua Netflix e tudo fica numa boa e ninguém se aborrece.

Eles entraram de cara feia e bateram o portão. Nunca mais falaram comigo.

*A história não é minha, mas é para refletir!!!

Amizade tem que ser recíproca.

Amor tem que ser recíproco.

Afeto tem que ser recíproco.

Daqui por diante pretendo retribuir o silêncio com silêncio, as ausências com ausências, o carinho com carinho, a amizade com amizade e a lealdade com lealdade.

Chega de viver sentimentos de uma só via. Sentimentos têm que ter mão dupla!

Rose Sant para Kadu Fernandes

Eu passei por situações semelhante em varias ocasiões, na maioria das vezes com dinheiro, tive uma amiga no ultimo hospital em que trabalhei que estava construindo assim como eu, vivíamos endividadas e usando sempre o limite do LIS (um limite que bancos fornecem a seus cliente que quando usado cobra juros exorbitantes) vira e mexe ela me pedia dinheiro emprestado, eu nunca neguei, mas era sempre retirado do LIS, ela sabia e pagava direitinho, sei que emprestei umas quatro vezes, um dia minha afilhada veio passar a semana na minha casa, eu sem dinheiro nem para comprar uns ovinhos para mistura, ela e meu filho combinando de ir ao playcenter ( que na época funcionava a toda vapor) e é claro, o passeio seria por minha conta, de onde eu ia tirar uns caraminguás??? Mas é claro, da minha amiga, para quem mais eu ia pedir algum se não fosse para a pessoa a qual eu já tinha emprestado varias vezes? pois bem, cheguei no hospital subi para meu setor, recebi o plantão, e num momento de folga desci para o terceiro andar onde minha amiga trabalhava (eu trabalhava no quarto andar) ela estava conversando com uma pessoa bem em frente a escada, cheguei nela e falei...

- Fram, eu preciso falar com você..

- pode falar...

- ah, mais eu queria em particular...

- pode falar aqui mesmo...

Eu fiquei meio sem graça de pedir empréstimo na frente dos outros, mas fazer o que?

- Bom, a minha afilhada veio passar a semana comigo, ela e o meu filho estão combinando de ir ao playcenter, mas eu não tenho dinheiro nem para a mistura do dia a dia, quanto mais para pagar ingresso do playcenter para os dois, então resolvi te pedir algum emprestado...

Ela olhou para mim com um olhar frio e balançou a cabeça negativamente de um lado para outro e disse...

- eu sei que você já me serviu algumas vezes e agradeço, mas não tenho dinheiro para lhe emprestar...

Eu senti um frio tão grande naquele momento que congelei, fiquei por uns quinze segundos olhando para ela sem acreditar no que ouvi, tudo bem se ela falasse para mim com um pouco mais de empatia...

- Ah Rose, eu sinto muito, você já me socorreu tantas vezes e agora não posso fazer o mesmo...

Eu entenderia, mas daquele jeito??? quando sai do torpor me virei e sai de cabeça baixa subindo as escadas de volta para meu setor. A amizade esfriou, quase nem a via mais a não ser que coincidisse de descermos no mesmo horário para o jantar. Passou algum tempo, uma tarde eu estava marcando ponto para entrar em serviço, notei um vulto se aproximando de mim, era ela, com a voz toda melosa me pedindo empréstimo, respondi...

- Não tenho, só disponho de um pouco do LIS para passar ate o final do mês...

- Ah Rose, me empresta do LIS mesmo, você sabe que pago direitinho...

Sabem o que fiz...

EMPRESTEI!!

Marcia para Rose Sant

já eu não sei se emprestaria...

Rose Sant para Marcia

Pois é Márcia, mas no meu caso eu tenho muita empatia pelas pessoas mesmo que elas não correspondam as minhas expectativas, eu jurei para mim mesma que nunca mais emprestaria um tostão para ela, mas eu sabia das dificuldades pelo qual ela passava, sozinha com um filho pequeno na época e a única das filhas cuidando da mãe doente e construindo apesar de todo o problema de saúde que a acometia (ela já tinha feito duas cirurgias cardíacas para troca de válvula cardíaca) eu ate tentei negar empréstimo a ela, mas não tive coragem, essa minha amiga veio a falecer no ano 2000 devido a uma terceira troca de válvula cardíaca que não deu certo.

(Próximo post continua a saga do filho único)


terça-feira, 19 de maio de 2020

O FILHO ÚNICO - PARTE 4

O tempo passou, o moleque cresceu achando que podia tudo e que todos tinham obrigação de fazer suas vontades, eu comecei a trabalhar registrada aos treze anos, mas aos seis anos já cumpria deveres dentro de casa, cuidava do irmão, lavava roupas das freguesas da minha mãe e ainda cumpria os deveres da escola, a irmã acima de mim, arrumou emprego registrado aos dezessete anos, mas a cozinha e a comida sempre foi responsabilidade dela, a mais nova começou a trabalhar cedo também e antes de ter emprego fixo tinha como tarefa banheiro e quintal, mas não fazia nem um nem outro, apanhava muito, mas era só a mãe descuidar e la estava ela na rua novamente, e o filhinho da mamãe? sem responsabilidade alguma, rua o dia inteiro, pois no conceito da nossa mãe ``menino tem que ser criado solto na rua´´
Confusão ele sempre arrumou, andava em más companhias e não adiantava tentar abrir os olhos da
mãe para isso que ela surtava, aconteceu dele começar amizade com um grupinho envolvido em diversos delitos desde roubo ate trafico e uso de drogas, alguém alertou a minha irmã mais velha e ela foi conversar com a nossa mãe...
- o Edu esta andando com os bandidinhos do bairro mãe, a senhora tem que por um fim nisso...
- você é uma mentirosa, meu filho jamais ia fazer amizades com os marginaizinhos do bairro...
- foi fulano que me avisou mãe, é pessoa honrada e só esta querendo ajudar...
- essa homem e um maricas e  vive bisbilhotando a vida dos outros, eu não acredito numa só palava desse futriqueiro...
- mãe, preste atenção, é para o bem do Edu...
Mas a mãe não quis saber e foi direto contar para o filho que na época tinha quatorze anos, ele enfurecido partiu para cima da irmã mais velha proferindo impropérios tentando agredi-la fisicamente, mas foi contido pela mãe.
O tempo passou, eu casei tive um filho, o casamento não deu certo, continuei morando de aluguel com meu pequeno, aluguel este que pagava para minha mãe de um comodo e cozinha, mas passado alguns anos acabei comprando um terreno numa cidade próxima, através de classificados da época encontrei uma construtora que anunciava construções de casas populares a preço modico parcelado, e acabei entrando nessa.
Foi feito a planta da casa, paguei a entrada, e recebi um carne de boletos para pagamentos mensais,  a
família se entusiasmou e resolveu reformar a casa também, foi feito um acordo e eu também ajudaria nessa reforma, só que descobrimos que a construtora era fake como se diz hoje em dia, o dono um estelionatário que alugava o escritório, contratava os profissionais mas nunca pagava aluguel e os empregados, e quando era despejado  rapidinho conseguia outro escritório e contratava novos funcionários.
O fato é que na época perdi todo o dinheiro que tinha conseguido juntar depositado numa poupança mais três meses de salario ( eu estava trabalhando em dois hospitais e o salario de um deles era para paga a construção da minha casa) e a minha família perdeu a casa, pois o sujeito demoliu o telhado, e varias paredes, como resultado a família inteira foi morar comigo no comodo e cozinha, na minha cama de casal dormia eu , meu filho, minha mãe, a irma mais velha e a irmã adotiva, tempos negros que nem quero lembrar mais
Passou algum tempo, e o caçula da mamãe veio conversar comigo e com a Ani, dizendo que a mãe estava muito triste, que deveríamos nos juntar para construir a casa para ela, e que depois todos também ajudariam a construir a minha, eu já estava juntando um dinheirinho, mas com a promessa de ajuda na construção da minha casa  concordei em ajudar.
Ledo engano, só para começar o caçulinha pagava apenas uma parcela do salario do pedreiro, meu pai fez um acordo com o trabalhador, ele receberia uma quantia por semana e teria cama e mesa, ou seja, ele iria receber alimentação e teria um comodo para dormir e ficar enquanto estivesse trabalhando para nos.
Então o acordo foi que cada um pagaria uma semana de salario para o pedreiro, e na quarta semana o salario seria dividido em 3 para cada um pagar 1/3, e o material? eu e minha irma Ani comprando e se estrepando, e o bonitinho nem queria saber.
Meu pai começou a tirar ``sarro´´ de mim e da Ani toda vez que íamos visita-lo no sitio afirmando
que nos estávamos construindo casa para o fulaninho casar, eu ficava sem graça, pois é claro que eu sabia que algo estava errado, pois o trato foi dividir a despesa igualmente entre nos três, só que o filhinho nem falava em ajudar na compra de materiais, eu e a Ani tínhamos quase o mesmo gênio, não gostávamos de confusão e fomos aceitando ate que a corda estourou, cheguei para meu irmão junto com a Ani e falei...
- Edu, não vai dar mais, o dinheiro que eu tinha na poupança acabou, agora tenho somente o salario da prefeitura que é pouco mais que um salario minimo, não tenho mais de onde tirar dinheiro...
- nem eu Eduardo...(minha irmã)
- mas como? eu preciso da casa pois vou casar daqui a alguns meses, e agora?
- como assim? eu pensei que estivesse ajudando a construir casa para a mãe, e alem do mais você só esta ajudando com o salario do pedreiro...
- a mãe falou para eu ajudar com o pedreiro e vocês assumiriam o resto...
- mas não foi esse o combinado...(eu)
E dai começou a confusão, as acusações, ele comprou piso e azulejo, mas foi um tal de falar que ele tinha vergonha na cara e eu e minha irmã não, ofensas, discussões que me arrependi de ter aceitado ajudar na construção da casa da família, pensei comigo mesmo...
- se aqui ele combinou e não assumiu então nem devo esperar ajuda dele para construir minha casinha...
Eu estava certa...
Infelizmente...

(continua no próximo post) 

segunda-feira, 9 de março de 2020

O FILHO ÚNICO E A IRMÃ ADOTIVA - PARTE 3

Minha mãe tinha uma prima que morava no interior de Minas Gerais, essa prima já em idade avançada cuidava de três netos cujos pais haviam se separado deixando as crianças a cargo da avó.O que se sabia é que as três crianças não eram bem cuidadas, então minha mãe decidiu trazer uma delas para nossa casa,  e quem foi encarregada dessa missão foi minha irmã mais velha...
- Niquinha (era o apelido da minha irmã) vai la na roça e traga uma das netas da minha prima Zefa, ela não tem mais idade para cuidar dos netos, conversa com ela e pega a menina mais velha...
Eram duas meninas e um menino, e a criança com mais idade tinha quatro anos, minha irmã comprou passagem e foi em MG buscar a criança.
Seu nome é Janete, ela chegou em casa bem maltratada, tinha sujeira cronica no rosto por falta de higiene corporal que só saiu depois de vários banhos, era uma menininha esperta, brincalhona e logo se adaptou a nova família,  minha mãe não deu muita atenção para ela, mas a minha irmã a tomou sob sua responsabilidade comprando roupas brinquedos e tudo mais que uma criança precisava.
Não entendo porque minha mãe quis trazer essa criança, pois ela não demostrou sentimento algum e vivia
reclamando,  por qualquer motivo a castigava fisicamente,  a principio com tapas, mas com o passar do tempo evoluiu para surras e coisas que nem gosto de lembrar.
Uma da inquilinas tinha um menino da mesma idade dela, um dia por algum motivo a Janete o mordeu, ouvi os gritos da menina...
- eu não mordo mais, eu não mordo mais...
Sai para ver o que estava acontecendo e vi a criança correndo com o nariz sangrando, mas era muito sangue, eu a peguei e levei para o tanque para lavar aquele sangue e ver a extensão do ferimento...
- como a senhora faz uma coisa dessa mãe, não vê que é só uma criança? crianças brigam, e se fosse o contrario?...
- ah mas foi ela que caiu e bateu o nariz no chão...
Eu sabia que era mentira, ela tirou a menina das minhas mãos e foi lava-la no tanque, com o passar do tempo a criança que era muito boazinha e ordeira, que guardava seus brinquedos numa caixa quando não queria mais brincar mudou, ela passou a ser retraída e deixou de ser prestimosa, minha mãe então reclamava cada vez mais e batia cada vez mais.
E assim o tempo passou e a menina aos nove anos começou a fugir de casa fazendo todos irem a sua procura, esse tempo foi difícil, minha mãe não se incomodava, mas a minha irmã junto comigo virávamos o bairro atras dela, fomos parar em cada biboca que nem gosto de lembrar, e o pior é que as amiguinhas escondiam ela.
Depois de um tempo minha irmã resolveu largar também, e a Janete chegou a ficar quase uma semana sem aparecer, depois ia na casa de algum vizinho e pedia para este interceder por ela, e la vinha o vizinho conversar conosco. Certa vez ela e mais uma coleguinha foram pegas arrombando a janela de uma vizinha, fomos chamados na delegacia e passamos a maior vergonha, eu conversava muito com a Tata e tentávamos achar o motivo que levou aquela criança tão boazinha a cometer tantos desatinos.
Eu já era adulta, e o caçulinha da mamãe vivia pegando feio com esta irmã adotiva, certa vez ela bateu nela nela no meio da rua porque disse que viu um rapaz passando um bilhete para ela, a menina surtou e chorando começou a arrancar os próprios cabelos, minha mãe nenhuma palavra.
Eu já estava casada e separada quando minha irmã mais velha resolveu me contar um grave acontecimento,
pois não aguentava mais carregar sozinha aquele segredo...
- Rose, eu preciso contar uma coisa para você, pouco tempo depois da Janete chegar em casa a Nicinha mãe do Alexandre (tinha duas inquilinas com apelido de Nicinha, por isso ela foi tão especifica) chamou a Elise para uma conversa séria, e contou tudo que ela descobriu...
- nossa tata, do jeito que você esta falando a coisa é seria, no que posso ajudar?..
- não tem mais como ajudar, pois já aconteceu..
- mas o que foi que aconteceu?...
- a Elise me chamou para uma conversa, pois a Nicinha contou para ela que começou a estranhar o fato do Edu recolher a Janete para dentro de casa e trancar a porta toda vez que a mãe saia...
- mas isso foi agora?...
- não, foi logo depois que eu a trouxe, ele tinha quatorze anos na época...
- e porque você não contou logo?...
- eu não sabia o que fazer, ele a recolhia e praticava atos libidinosos com ela, então a Nicinha um dia, pegou a Janete assim que a mãe saiu, levou ela para a casa dela e apertou ate ela contar tudo, ela chorou de medo pois
o Edu a ameaçava matar ela se contasse alguma coisa...
- nossa!...
Ela me contou que quando ia dar banho na criança ela chorava porque as partes intimas estavam sempre avermelhadas, a Ani achava que era assadura, a mãe também mandava o Edu dar banho nela, então a Ani proibiu a a mãe de mandar o moleque dar banho na menina, mas a Dna Maria foi  contar para o Edu que ficou bravo e partiu para cima da irmã mais velha...
- porque eu não posso mais dar banho na Janete se a mãe mandar?...
- você sabe muito bem porque, nunca mais encoste suas mãos na criança!...
E assim ele foi proibido de chegar perto da Janete
- pois é tata, acho que ai esta a resposta do porque a menina ter mudado tanto...
- deve ter sido por isso...
Quando uma garota ``se perde´´como se dizia antigamente, a própria família comenta com algum vizinho mais chegado e este logo espalha pela vizinhança, a pobre garota fica mal falada, mas quando é o machinho da família que abusa de uma irmã ou qualquer menina da família todo mundo se cala e vira um segredo fechado a sete chaves.
Lembro da minha tia materna mais jovem certa vez me contando um caso que aconteceu com ela quando tinha
por volta de onze anos e o irmão mais velho que já era quase um adulto, minha avó mandou os dois irem para a casa de uma das minhas tias que tinha acabado de parir para ajudar-la no que precisar, naquele tempo e na roça que hoje chamam de zona rural mulher tinha os bebes em casa e alguma comadre ajudava no parto, essa minha tia mandou os dois irmãos irem no mato buscar lenha ( naquele tempo e na roça os fogões eram a lenha) e estranhou que os dois irmãos estavam demorando.
Ela resolveu ir atras, e entrando na mata onde costumava pegar lenha viu o rapaz em cima da garota e ela lutando para tentar escapar, a mulher parou em frente a eles e ficou observando sem falar nada, o rapaz assim que percebeu a presença dela deu um pulo e largou a irmã, a tia simplesmente virou as costas e voltou para casa.
Ninguém chamou atenção ou castigou o irmão, simplesmente pegaram a menina e levaram no medico para ser examinada comprovando que não dera tempo de consumar o ato, então se calaram e nunca mais o assunto foi comentado na família. 
Foi o que aconteceu na casa de meus pais, minha irmã não contou para a mãe, só veio falar comigo muito anos depois, então eu contei para a irmã acima de mim e esta foi falar com minha mãe que teve um surto e gritou que o santo filhinho dela jamais faria uma coisa dessa, que era mentira ``daquela menina´´ e que a inquilina era uma futriqueira que vivia metendo o bedelho onde não era chamada.
(continua no próximo post)

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

O FILHO ÚNICO - PARTE 2

Minha mãe engravidou de seu ultimo filho aos quarenta anos, naquela época eu tinha seis anos e lembro da sua barriga volumosa e uma vizinha perguntando para mim...
- cade o bebe da mamãe?
Eu sabia onde estava o bebe, mas como eu sabia e porque sabia não sei dizer, pois naquele tempo certos assuntos eram tabu para crianças, respondi passando a mão na barriga da minha mãe...
- esta aqui...
Minha mãe sorriu amarelo, e depois que a vizinha foi embora ela me pegou pelo braço...
- quem falou para você que eu tenho um bebe na barriga?
Não lembro se respondi ou fiquei calada, só lembro do pavor que senti, pois sabia que podia levar uma boa surra.
Pouco tempo depois ela foi para o hospital onde deu a luz a um menino saudável mas com um dos pés virado para dentro, mesmo naquele tempo, cinquenta e oito anos atras, já existiam procedimentos médicos para contornar pés tortos, lembro que meu irmão usou gesso que era trocado de tempos em tempos ate o pé ficar perfeitamente correto.
Esse menino passou a ser a vida da minha mãe, tudo era por ele e para ele, acabou o pouco carinho
dela pelas filhas, o mundo dela passou a girar em torno do ``FILHO ÚNICO´´
Ela trabalhava na casa vizinha a nossa lavando roupas três vezes por semana, e nos dias que estava em casa lavava roupas para diversas freguesas, e quem cuidava do bebe? EU!
Acabou a minha infância, minha vida era ficar balançando o carrinho o tempo todo e aquele moleque berrando o tempo todo...
- faça esse bebe parar de chorar ou te corto no fio de ferro!
Minha mãe gritava do tanque, e eu chorava junto com a criança, pois não tinha permissão para pegar ele no colo por ser muito pequena.
Explicando o fio de ferro, naquele tempo não existiam os ferros automáticos, eles eram elétricos, tinha um plug que ligava o fio no ferro, um fio longo com um plug na extremidade que ligava na corrente elétrica, esse ferro ia esquentando e a pessoa que utilizava tinha que desconectar conforme a temperatura que queria, minha mãe passava roupas também, e por diversas vezes esqueceu o ferro na tomada, a mesa que era utilizada para passar roupas tinha um buraco do lado direito provocado pela alta temperatura do ferro que só ia esquentando cada vez mais e chegava a provocar incêndios. O fio elétrico tinha uma segunda finalidade, castigar fisicamente crianças.
Eu entrei para a escola aos seis anos e meio, e alem da responsabilidade de cuidar do bebe também ganhei a responsabilidade de cuidar da casa, a irmã mais velha trabalhava fora, a irmã acima de mim cuidava da cozinha e da comida, eu era responsável pelo cuidado do bebe, sala e dois quartos, e passei também a ter obrigação de lavar roupas para as freguesas da minha mãe (já contei essa estoria num post anterior) e quanto a irmã caçula minha mãe a considerava pequena para afazeres domésticos, e só ia ter obrigações dentro de casa ao ingressar no primeiro ano escolar como as demais.
O tempo passou o moleque cresceu, e com ele o amor de minha mãe cada vez maior, ele ganhou uma bicicleta que foi roubada tempo depois, minha mãe comprou outra, ele teve gravador (só gravador de fitas existia naquele tempo) teve aparelho de som 3 em 1, carrinhos e tudo que ele queria minha mãe comprava para ele, responsabilidade dentro de casa? nenhuma, era só rua o dia inteiro, não me conformando perguntei para minha mãe...
- mãe, porque o Edu passa o dia todo na rua e não faz nada dentro de casa?...
- ora, menino tem que ser criado solto na rua...
Nunca entendi uma coisa dessa, certa vez quando ele estava entrando na adolescência arrumou confusão com um bando de moleques adolescentes, e precisou minha irmã mais velha ir busca-lo na rua para evitar que ele fosse agredido.
Aconteceu também dele começar a andar em ma companhia, e alguém, algum vizinho foi falar com essa minha irmã mais velha, e ela foi falar com a nossa mãe, mas a minha mãe surtou e falou que o filho dela não estaria na companhia ``daqueles moleques desordeiros´´ e foi falar com o filhinho querido...resultado, com apenas doze ou treze anos ele tentou agredir a irmã adulta.
outro fato terrível que aconteceu em relação ao filhinho único e que marcou para sempre a vida de uma criança vou narrar no próximo post, se ela o perdoar, eu o perdoarei...

(continua no próximo post)

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

O FILHO ÚNICO

Nesta postagem começarei a narrar sobre o caçulinha da mamãe, o orgulho da mamãe, o tudo da mamãe, por ele ela ignorou as filhas, e seu amor foi todo projetado para o ``rapinha do tacho´´ que cresceu achando que podia tudo, que era o maioral, as meninas ficamos em segundo e por que não dizer em terceiro quarto ou quinto plano, tudo que minha mãe fez a partir do nascimento do filhinho querido foi em prol dele, e ate o fim de sua vida ela lutou para que ele tivesse um futuro garantido.
Me lembro como se fosse hoje, eu trabalhando em dois empregos e nos raros dias de folga fazia diárias para aumentar a minha renda na esperança de um dia ter meu próprio lar, sonho que conquistei com muitas lagrimas
Mas enquanto eu lutava na vida o favorito da mamãe passava os dias vagabundeando nas ruas, ou deitado no sofá assistindo televisão, então em certa ocasião perguntei...
- Edu, você não pensa no futuro, em ter sua própria casa? você esta passando da hora de arrumar um emprego...
Ele deu uma risadinha cínica e respondeu...
- meu futuro já esta garantido...
Não entendi no momento, mas com o passar do tempo e desavenças entre eu minha mãe e irmãos tive a resposta...
Eu acredito que pai ou mãe possa ter mais afinidades com este ou aquele filho, mas a ponto de
menosprezar e ate prejudicar um filho em prol de outro jamais, meu pai tinha amor incondicional por mim, mas nem por isso ele me tratava diferente dos outros filhos, mas a minha mãe mostrava claramente sua predileção e por causa desse amor desmedido dela por um único filho eu quase cheguei ao suicídio
Nos próximos capítulos desta saga vão entrar novamente  a irmã ignóbil a irmã autoritária e a irmã morta, e também falarei da irmã adotiva que chegou em casa aos quatro anos de idade e sofreu muito nas mãos da minha mãe.

(continua no próximo post)