quinta-feira, 20 de setembro de 2018

INOCÊNCIA DE CRIANÇA

Quem disse que criança não guarda magoa, ou não se sente mal quando está brincando inocentemente e é questionada por um adulto sobre o tipo de brincadeira?
Coisas que nunca entendi por parte da dona maria, que me agradava para contar alguma coisa prometendo que eu não seria castigada, mas nunca cumpria a palavra.
Certa vez meu pai comprou um jogo de mesa com cadeiras todas estofadas, na minha ingenuidade eu queria saber o que tinha dentro do estofado, maior que o medo foi a curiosidade e com uma faca abri o estofamento da cadeira...
- quem fez isso com a cadeira nova?
- quietinha
- fala tuquinha, vc viu quem fez?
- quietinha
-  pode falar eu não vou te bater
- ah eu queria saber o que tinha dentro
Ela me bateu apesar da promessa, foi assim que aprendi a não confiar nos adultos
Meu pai trabalhava como continuo na prefeitura de são Paulo ganhando pouco, minha mãe ajudava lavando roupas para fora, nossa mistura diária era batatinha frita, aos domingos depois da missa meu pai passava na avícola e comprava um frango (não tinha supermercados na época e frango era vendido vivo)  leite nem pensar, era muito caro, então nosso desjejum era só o cafe com pão mesmo.
A situação financeira melhorou um pouco, minha mãe passou a comprar leite, mas no inicio eu não gostei, não estava acostumada, só que eu ia na casa da vizinha e esta vizinha me dava um copo cheio de leite e eu tomava tudo, certo dia ela comentou com a minha mãe
- a tuquinha gosta muito de leite né dona maria
- como assim, aqui em casa ela não toma de jeito nenhum
- toda vez que ela vai em casa eu dou um copo de leite ela toma tudo
Então minha mãe começou a me apertar para saber porque na dona Lucia eu tomava leite e em casa
não, ela não me soltou enquanto eu não respondi
- porque o leite de la é mais gostoso
- a resposta não agradou e acabou em pancadaria
Quando minha mãe estava gestante do seu caçula, uma das inquilinas me perguntou:
- onde esta o bebe da sua mãe?
Eu passei a mão na barriga da minha mãe e respondi
- esta aqui
Minha mãe sorriu amarelo e desconversou, depois que a mulher se retirou ela me pegou pelo braço e perguntou
- quem te falou que tenho bebe na barriga?
- Ninguém
- então como você sabe?
Eu apenas sabia, ninguém me falou ou explicou alguma coisa, desta vez ela deixou passar, mas com uma bela bronca.
Vi meu pai levando a dona maria para o hospital, e depois de alguns dias ela voltou para casa com um bebe no colo, então junto com minha irmã menor pegamos nossas bonecas e fomos brincar de hospital, fingindo que ganhamos nossas bonecas e que estávamos voltando para casa.
- do que vocês estão brincando?
a irmã menor bem mais esperta falou na hora
- estamos brincando que nossas bonecas estão doente e levamos ao hospital
Quando eu estava completando dez anos a dona maria deu um livrinho para eu ler, li e não entendi nada. aconteceu aos onze anos, senti algo úmido e quente saindo da minha vagina e escorrendo pela coxa,  fui no banheiro verificar, era sangue! fiquei desesperada, eu não tinha caído, ou sofrido qualquer trauma e sequer estava sentindo dor, fiquei com vergonha e coloquei uma folha de jornal dobrada na esperança daquele sangramento parar logo, mas não aconteceu.
Eu acreditava que tinha me machucado mas não tinha coragem para falar com minha mãe , acordei no dia seguinte e disfarçando falei:
- nossa! acho que tinha fiz xixi na cama,
A dona maria veio olhar e exclamou
- a tuquinha ficou mocinha!
Não entendi, como assim eu fiquei mocinha?
Ela mandou a Sonia conversar comigo, me ensinar como colocar paninho e essas coisas, mas esta minha irmã muito vergonhosa não me ensinou nada.
Eu pensei que aquele sangramento seriam todos os dias da minha vida, ninguém me explicou que seriam de três a cinco dias por mês, o restante aprendi sozinha mesmo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário