segunda-feira, 9 de março de 2020

O FILHO ÚNICO E A IRMÃ ADOTIVA - PARTE 3

Minha mãe tinha uma prima que morava no interior de Minas Gerais, essa prima já em idade avançada cuidava de três netos cujos pais haviam se separado deixando as crianças a cargo da avó.O que se sabia é que as três crianças não eram bem cuidadas, então minha mãe decidiu trazer uma delas para nossa casa,  e quem foi encarregada dessa missão foi minha irmã mais velha...
- Niquinha (era o apelido da minha irmã) vai la na roça e traga uma das netas da minha prima Zefa, ela não tem mais idade para cuidar dos netos, conversa com ela e pega a menina mais velha...
Eram duas meninas e um menino, e a criança com mais idade tinha quatro anos, minha irmã comprou passagem e foi em MG buscar a criança.
Seu nome é Janete, ela chegou em casa bem maltratada, tinha sujeira cronica no rosto por falta de higiene corporal que só saiu depois de vários banhos, era uma menininha esperta, brincalhona e logo se adaptou a nova família,  minha mãe não deu muita atenção para ela, mas a minha irmã a tomou sob sua responsabilidade comprando roupas brinquedos e tudo mais que uma criança precisava.
Não entendo porque minha mãe quis trazer essa criança, pois ela não demostrou sentimento algum e vivia
reclamando,  por qualquer motivo a castigava fisicamente,  a principio com tapas, mas com o passar do tempo evoluiu para surras e coisas que nem gosto de lembrar.
Uma da inquilinas tinha um menino da mesma idade dela, um dia por algum motivo a Janete o mordeu, ouvi os gritos da menina...
- eu não mordo mais, eu não mordo mais...
Sai para ver o que estava acontecendo e vi a criança correndo com o nariz sangrando, mas era muito sangue, eu a peguei e levei para o tanque para lavar aquele sangue e ver a extensão do ferimento...
- como a senhora faz uma coisa dessa mãe, não vê que é só uma criança? crianças brigam, e se fosse o contrario?...
- ah mas foi ela que caiu e bateu o nariz no chão...
Eu sabia que era mentira, ela tirou a menina das minhas mãos e foi lava-la no tanque, com o passar do tempo a criança que era muito boazinha e ordeira, que guardava seus brinquedos numa caixa quando não queria mais brincar mudou, ela passou a ser retraída e deixou de ser prestimosa, minha mãe então reclamava cada vez mais e batia cada vez mais.
E assim o tempo passou e a menina aos nove anos começou a fugir de casa fazendo todos irem a sua procura, esse tempo foi difícil, minha mãe não se incomodava, mas a minha irmã junto comigo virávamos o bairro atras dela, fomos parar em cada biboca que nem gosto de lembrar, e o pior é que as amiguinhas escondiam ela.
Depois de um tempo minha irmã resolveu largar também, e a Janete chegou a ficar quase uma semana sem aparecer, depois ia na casa de algum vizinho e pedia para este interceder por ela, e la vinha o vizinho conversar conosco. Certa vez ela e mais uma coleguinha foram pegas arrombando a janela de uma vizinha, fomos chamados na delegacia e passamos a maior vergonha, eu conversava muito com a Tata e tentávamos achar o motivo que levou aquela criança tão boazinha a cometer tantos desatinos.
Eu já era adulta, e o caçulinha da mamãe vivia pegando feio com esta irmã adotiva, certa vez ela bateu nela nela no meio da rua porque disse que viu um rapaz passando um bilhete para ela, a menina surtou e chorando começou a arrancar os próprios cabelos, minha mãe nenhuma palavra.
Eu já estava casada e separada quando minha irmã mais velha resolveu me contar um grave acontecimento,
pois não aguentava mais carregar sozinha aquele segredo...
- Rose, eu preciso contar uma coisa para você, pouco tempo depois da Janete chegar em casa a Nicinha mãe do Alexandre (tinha duas inquilinas com apelido de Nicinha, por isso ela foi tão especifica) chamou a Elise para uma conversa séria, e contou tudo que ela descobriu...
- nossa tata, do jeito que você esta falando a coisa é seria, no que posso ajudar?..
- não tem mais como ajudar, pois já aconteceu..
- mas o que foi que aconteceu?...
- a Elise me chamou para uma conversa, pois a Nicinha contou para ela que começou a estranhar o fato do Edu recolher a Janete para dentro de casa e trancar a porta toda vez que a mãe saia...
- mas isso foi agora?...
- não, foi logo depois que eu a trouxe, ele tinha quatorze anos na época...
- e porque você não contou logo?...
- eu não sabia o que fazer, ele a recolhia e praticava atos libidinosos com ela, então a Nicinha um dia, pegou a Janete assim que a mãe saiu, levou ela para a casa dela e apertou ate ela contar tudo, ela chorou de medo pois
o Edu a ameaçava matar ela se contasse alguma coisa...
- nossa!...
Ela me contou que quando ia dar banho na criança ela chorava porque as partes intimas estavam sempre avermelhadas, a Ani achava que era assadura, a mãe também mandava o Edu dar banho nela, então a Ani proibiu a a mãe de mandar o moleque dar banho na menina, mas a Dna Maria foi  contar para o Edu que ficou bravo e partiu para cima da irmã mais velha...
- porque eu não posso mais dar banho na Janete se a mãe mandar?...
- você sabe muito bem porque, nunca mais encoste suas mãos na criança!...
E assim ele foi proibido de chegar perto da Janete
- pois é tata, acho que ai esta a resposta do porque a menina ter mudado tanto...
- deve ter sido por isso...
Quando uma garota ``se perde´´como se dizia antigamente, a própria família comenta com algum vizinho mais chegado e este logo espalha pela vizinhança, a pobre garota fica mal falada, mas quando é o machinho da família que abusa de uma irmã ou qualquer menina da família todo mundo se cala e vira um segredo fechado a sete chaves.
Lembro da minha tia materna mais jovem certa vez me contando um caso que aconteceu com ela quando tinha
por volta de onze anos e o irmão mais velho que já era quase um adulto, minha avó mandou os dois irem para a casa de uma das minhas tias que tinha acabado de parir para ajudar-la no que precisar, naquele tempo e na roça que hoje chamam de zona rural mulher tinha os bebes em casa e alguma comadre ajudava no parto, essa minha tia mandou os dois irmãos irem no mato buscar lenha ( naquele tempo e na roça os fogões eram a lenha) e estranhou que os dois irmãos estavam demorando.
Ela resolveu ir atras, e entrando na mata onde costumava pegar lenha viu o rapaz em cima da garota e ela lutando para tentar escapar, a mulher parou em frente a eles e ficou observando sem falar nada, o rapaz assim que percebeu a presença dela deu um pulo e largou a irmã, a tia simplesmente virou as costas e voltou para casa.
Ninguém chamou atenção ou castigou o irmão, simplesmente pegaram a menina e levaram no medico para ser examinada comprovando que não dera tempo de consumar o ato, então se calaram e nunca mais o assunto foi comentado na família. 
Foi o que aconteceu na casa de meus pais, minha irmã não contou para a mãe, só veio falar comigo muito anos depois, então eu contei para a irmã acima de mim e esta foi falar com minha mãe que teve um surto e gritou que o santo filhinho dela jamais faria uma coisa dessa, que era mentira ``daquela menina´´ e que a inquilina era uma futriqueira que vivia metendo o bedelho onde não era chamada.
(continua no próximo post)