quinta-feira, 29 de novembro de 2018

A IRMÃ AUTORITÁRIA

Neste post vou falar sobre a minha irmã Soni, quando criança essa irmã me provocava muito e chegamos varias vezes a agressões físicas. Mas com o passar do tempo entrando na adolescência essa fase passou e ficamos muito amigas depois dos infortúnios que a irmã ignóbil nos fez passar.
Teve o episodio do vaso quebrado que já descrevi num post anterior, não esqueci jamais desse acontecimento, e não a perdoo pela mentira que me fez levar a maior surra do meu pai sem eu merecer, não esqueci mas ficou num passado muito distante.
Eu, acredito que eu devia ter por volta de uns seis anos, estava na cozinha descascando uma laranja e ela estava na sala não sei fazendo o que, escutei o som alto de alguma coisa caindo no chão e quebrando e o choro dela, continuei a descascar minha laranja quanto ela veio para a cozinha e falou olhando para mim...
- você é culpada!
Ela saiu para o quintal enquanto eu cortava minha laranja ao meio, peguei minhas duas metades e fui para fora saboreando a fruta que eu gostava tanto.
- porque você quebrou o vaso?
Senti meu pai pegando no meu braço e as primeiras pancadas no meu corpo, as duas metades da
laranja caíram no chão enquanto eu recebia novas pancadas, não tenho ciência do quanto apanhei, mas quando meu pai me largou o choro que brotou do fundo da minha alma não foi por causa das pancadas, mas por ter apanhado inocente, entre soluços falei que não tinha derrubado nada, que eu estava na cozinha descascando laranja, e quem tinha quebrado o vaso era a Sonia que estava na sala e não eu.
- Sonia, você mentiu para mim, foi você que quebrou o vaso da sua mãe?
- de cabeça baixa sem resposta
- eu bati na Tuquinha sem ela merecer??? porque você fez isso???(com a voz embargada)
Ele ficou tão desconcertado que simplesmente baixou a cabeça e foi para o quarto sem falar mais nada enquanto eu soluçava compulsivamente.
Não lembro o que aconteceu depois, o que sei e que a Soni não foi castigada por ter quebrado o vaso ou por eu ter apanhado no seu lugar, e por mais que eu viva nunca esquecerei essa injustiça, esta é uma das maiores magoas que guardo da minha irmã.
Nos meus dezoito anos eu trabalhava numa famosa industria farmacêutica e chegava em casa mais ou menos as 14h e era sempre recebia com alegria por esta irmã, ela trabalhava num pronto socorro municipal meio período, nos tornamos muito próximas com o fim da minha amizade com a Elise, ficávamos unidas tentando nos proteger das maldades da irmã ignóbil.
Por anos estivemos juntas, fui madrinha de batismo do primogênito dela, era raro a semana que não nos víamos, eu a ajudei muito, por diversas vezes ela pegou dinheiro emprestado na minha conta de aposentada (empréstimo consignado) o que eu estranhava muito é que ela não tinha a responsabilidade de efetuar o deposito no dia certo, dia em que seria descontado na minha conta o valor das parcelas (tive que abrir uma conta na CEF para conseguir o empréstimo e algumas vezes tive que dar meus pulos para não deixar em branco o dia do desconto da parcela) 
Outro fato que mostra o valor que eu dava a nossa amizade é que ofereci minha casa para ela morar com a família e sair do aluguel enquanto construía a sua casa, ela morou exatamente seis anos, e no decorrer desses seis anos um dos meus sobrinhos foi para a faculdade, outro se formou, e ela construiu sua casa, depois desses seis anos ela mudou não me entregou as chaves de imediato dizendo que ia fazer uma limpeza e que ainda tinha coisas para pegar.
Só que nesse meio tempo a casa foi invadida, quebraram a porta da sala, uma vizinha conseguiu meu
telefone e me avisou, liguei para a Soni chorando, fomos la durante o dia pois meu cunhado solicitou desligamento da energia, o que vi me deixou arrasada, a casa estava completamente destruída, paredes imundas, quebradas, lixo por toda parte, baratas aglomeradas nos cantos das paredes, só informando, eu sempre fui muito cuidadosa com limpeza, nos nove anos que morei nessa casa com meu filho raramente aparecia alguma barata mas da especie bem pequenina,  e as que vi la depois que ela mudou eram aquelas cascudas sem asa, o quintal estava cheio de entulho, o jardim cheio de mato, e a garagem que entreguei limpinha, estava cheia entulhos, objetos e imunda  (meu cunhado era colecionador compulsivo)
Pedi varias vezes para ele ir la ver o que queria levar ou jogar fora, mas ele não foi, então falei com meu vizinho cuja filha fazia reciclagem, o restante não aproveitado foi juntado e queimado por este meu vizinho
Dentre os objetos largados no quintal levei para a casa onde estava morando, um tambor plastico para servir de lixeira, mas meu cunhado viu um dia em minha residencia, pegou e levou embora, depois que me livrei de todo lixo e entulhos procedi a limpeza, a instalação de uma nova porta na sala e a pintura ( a pintura ela pagou) e por fim minha mãe negociou esta casa para que eu a vendesse para seu filho caçula (conto esta estoria num futuro post)
Passaram-se os anos e continuamos unidas, veio a doença da minha mãe, as internações e por fim o diagnostico fechado, ela faleceu em janeiro de 2010 e nesse ínterim minha irmã mais velha Ane já mostrava sinais de Alzheimer.
Depois de confirmado o diagnostico nos unimos para cuidar dela, mas a Soni se mostrou muito autoritária em relação ao meu sobrinho filho dessa irmã doente, esse menino é filho adotivo da Ane, tem um gênio muito forte e acabou entrando em atrito com a tia, eu preferi ficar de fora com os desentendimentos entre os dois o que considero ter sido um grande erro da minha parte, lembro de certa vez em que saímos da casa da nossa irma depois de uma discussão da Soni com o meu sobrinho, ela dizendo que ia pegar a Ane e levar para a casa dela, e assim começou  toda a encrenca.

(continua no próximo post)

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