Ela foi embora para sempre, mas seus últimos oito anos de vida foram motivo de disputa jurídica por alguns membros da família. Ana ou Tatinha como era conhecida, a mais velha de cinco irmãos, aquela que se preocupava com todos, o braço direito de nossa mãe.
Ainda criança começou a trabalhar em casas de famílias, com alguns patrões foi bem tratada, mas com outros sofreu muito, depois conseguiu emprego em grandes empresas, com o passar do tempo e estudo foi subindo degraus até se tornar uma analista farmacêutica, em seu ultimo empregou ficou por mais de vinte anos.
Adotou legalmente um bebe com dois meses de vida, esse filho se tornou a razão de seu viver, o seu
motivo para continuar neste mundo, fez tudo por ele e para ele, deu do bom e melhor, carinho nunca faltou, e a pequena criança cresceu e se tornou um belo rapaz.
motivo para continuar neste mundo, fez tudo por ele e para ele, deu do bom e melhor, carinho nunca faltou, e a pequena criança cresceu e se tornou um belo rapaz.
Antes do falecimento de nossa mãe ela já demostrava alguns sinais alarmantes de esquecimento, depois que a nossa mãe partiu a doença (Alzheimer) se manifestou com mais intensidade sendo diagnosticada por medico neurologista.
Eu e a Soni nos unimos para cuidar dela, íamos quase que diariamente em sua casa, o filho pediu demissão do emprego e trancou a matricula na faculdade para cuidar dela apesar dos meus protestos...
- Filho, não faça isso, deixa que eu e a sua tia cuidamos dela, nos vamos revesar dia a dia...
- Ah tia, eu quero cuidar da minha mãe...
Ai começaram os problemas, a Soni começou a implicar com o sobrinho alegando que ele não estava cuidando direito da mãe...
- Ele tem apenas vinte e dois anos, nunca teve responsabilidade na vida, a tata nunca deu limites para ele, nos devemos orienta-lo...
Mas não adiantava, ela continuou implicando e ameaçando levar a irmã embora...
- eu vou pegar a minha irmã e levar para a minha casa...
Eu só ouvia sem responder, gostava o mesmo tando dos dois e não queria ficar nem do lado de um nem do lado do outro, o sobrinho cobrava de mim uma posição, mas continuei em cima do muro, ate que um dia ele chegou para mim e falou...
- eu não considero mais você como minha tia, e não vou mais falar contigo...
Fiquei angustiada, pois amava meu sobrinho, ele realmente não falou mais comigo, e passou a me ignorar.
As confusões aumentaram, ele contratou uma cuidadora de idosos, desligou o telefone e ficamos sem
contato com a nossa irmã, a Soni por sua vez procurou assistente social e ficou acertado que aos sábados a Tata ficaria com as irmãs, mas a Soni mudou de cidade e eu fiquei incumbida de pega-la aos finais de semana...
contato com a nossa irmã, a Soni por sua vez procurou assistente social e ficou acertado que aos sábados a Tata ficaria com as irmãs, mas a Soni mudou de cidade e eu fiquei incumbida de pega-la aos finais de semana...
Rose, você pega a Tata sábado?
- Pego sim...
Só que não foi apenas um sábado, foram todos os sábados, e cada vez que eu chegava la para pegar minha irma eu recebia diversas formas de humilhações por parte o meu sobrinho, eu ligava para a Soni reclamando e não obtinha nem uma palavra dela...
- Soni, eu não vou pegar mais a Tata, pois todos os sábados o Igor me humilha...
- sem resposta
Chegava o outro final de semana e eu me sentia na obrigação de ir pegar minha irmã novamente, e novamente era humilhada, foi mais por esse motivo que decidi mudar de cidade também, vendi minha casa e já tinha ate escolhido o condomínio que desejava morar, mas por insistência da minha irmã acabei comprando num empreendimento novo e precisei morar com ela por nove meses ate o prédio ser entregue.
Foi um período difícil para mim que estava acostumada a morar sozinha, e neste período quem passou a pegar a Tata nos finais de semana foram os filhos da Soni, com o tempo a Ane foi ficando mais e mais dias com a Soni, eu cuidava dela preparava as caixas de medicação preparava o banho para ela, etc.
Passei a acompanhar a Soni nas audiências do fórum, pois ela tinha entrado com processo para pegar a curatela da nossa irmã.
Passado algum tempo e com as dificuldades do dia a dia o Igor resolveu abrir mão da curatela da mãe
e levou a Tata com mala e tudo para o condomínio da Soni, esse dia jamais esquecerei, ela sendo tirada a força da sua casa, chorando, sendo abandonada pelo filho que tanto amava, a Soni com suas falsas promessas afirmou que sempre que ela quisesse a levaria para visitar sua casa, promessa nunca cumprida, pois foram varias vezes que a Ane pediu para voltar para casa e não foi atendida.
e levou a Tata com mala e tudo para o condomínio da Soni, esse dia jamais esquecerei, ela sendo tirada a força da sua casa, chorando, sendo abandonada pelo filho que tanto amava, a Soni com suas falsas promessas afirmou que sempre que ela quisesse a levaria para visitar sua casa, promessa nunca cumprida, pois foram varias vezes que a Ane pediu para voltar para casa e não foi atendida.
O tempo passou, finalmente mudei para meu apartamento, mas ia diariamente visitar minhas irmãs, a Soni começou a reclamar mas não dei importância ate acontecer o fato do vazamento do gás que acabou em desentendimento e ela me expulsou de sua casa, depois de algum tempo entramos em entendimento e passei também a cuidar da nossa irmã revesando mês a mês com ela, a doença da nossa irmã foi piorando, passou alguns anos recebi mensagem do meu sobrinho querendo se reconciliar comigo, aceitei e marquei um almoço no mês em que a tata estava comigo, ela o reconheceu.
Ele havia casado e a esposa estava no quinto mês de gestação, quando nasceu minha sobrinha neta levei minha irmã para conhece-la escondida da Soni (ela estava passando o mês comigo)
Outra cena que jamais esquecerei, ela chorando emocionada com a pequena no colo perguntando...
- é minha neta mesmo? muito linda...
- e sua neta Tatinha...
Depois em todos os meses que a Tata passava comigo o Igor vinha sempre passar um final de semana em minha residencia sem a Soni saber, com o tempo ele entrou com processo para conseguir direito de visitar a mãe e passou a pega-la no ultimo sábado de cada mês com ordem judicial.
Num post futuro contarei o caso da irmã mais nova que não quis ajudar no revesamento de cuidados de nossa irmã, senão o post vai se alongar muito, o caso é que fiquei doente, sou depressiva desde criança, a doença voltou e fiquei sem condições de cuidar da Tata, pois com o avanço da doença ela
se tornou agressiva e recusava banhos e medicação, falei varias vezes com a Soni sobre isso mas como sempre ela não dava atenção, foi preciso eu pedir intervenção do meu filho que marcou reunião e decidiu que eu só voltaria a cuidar da Ane quando eu melhorasse da minha saúde mental.
se tornou agressiva e recusava banhos e medicação, falei varias vezes com a Soni sobre isso mas como sempre ela não dava atenção, foi preciso eu pedir intervenção do meu filho que marcou reunião e decidiu que eu só voltaria a cuidar da Ane quando eu melhorasse da minha saúde mental.
Durante vários meses não tive mais noticias sobre a Tata, então combinei com meu sobrinho dele passar as visitas de sábado comigo, e foi assim que vi minha irmã junto com o Igor num almoço em minha casa por duas vezes antes do seu falecimento.
Em 19/03/2019 no período da manhã recebi a noticia do seu falecimento, foi triste ver aquela mulher
decidida e forte terminar seus dias tão frágil num caixão branco cheio de flores num velório de quase trinta e seis horas, durante sepultamento percebi desentendimento entre a família da Soni com a irmã mais nova e com o filho da falecida, fiquei sabendo por cima do assunto, quando fiquei doente sugeri que a Ani ficasse numa casa de repouso nos meses em que devia ficar comigo, mas a Soni e família recusaram veementemente...
decidida e forte terminar seus dias tão frágil num caixão branco cheio de flores num velório de quase trinta e seis horas, durante sepultamento percebi desentendimento entre a família da Soni com a irmã mais nova e com o filho da falecida, fiquei sabendo por cima do assunto, quando fiquei doente sugeri que a Ani ficasse numa casa de repouso nos meses em que devia ficar comigo, mas a Soni e família recusaram veementemente...
- de forma alguma vamos deixar a Tata numa casa de repouso...
Pois bem, como diz um ditado ``mentira tem perna curta´´ tanto eu como o restante da família acreditamos como foi contado a estoria pela Soni e pelos filhos, que a Ani passou mal em casa e foi levado para o hospital onde veio a falecer...
MENTIRA! ela estava internada numa casa de repouso, não em Jundiaí onde moramos, mas emCampo Limpo Paulista onde mora o filho dela, e foi la que ela ou passou mal ou faleceu sendo levada para o hospital da cidade.
Então chegamos a conclusão que eles buscavam a Tata na casa de repouso nos sábados de visita do filho sendo que nem era preciso ele se locomover ate Jundiaí para pegar a mãe que estava internada mais ou menos próximo a casa dele.
Fica a saudade, doce saudade daquela que cuidou dos irmãos pequenos, da tia amorosa que não ignorou nenhum sobrinho, e da mãe que amou seu filho ao extremo, a vitima de três irmãs, a autoritária que quis a todo custo a curatela, a que ficou em cima do muro (eu) e a que colocou fogo mas não quis ajudar ...








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