O tempo passou, o moleque cresceu achando que podia tudo e que todos tinham obrigação de fazer suas vontades, eu comecei a trabalhar registrada aos treze anos, mas aos seis anos já cumpria deveres dentro de casa, cuidava do irmão, lavava roupas das freguesas da minha mãe e ainda cumpria os deveres da escola, a irmã acima de mim, arrumou emprego registrado aos dezessete anos, mas a cozinha e a comida sempre foi responsabilidade dela, a mais nova começou a trabalhar cedo também e antes de ter emprego fixo tinha como tarefa banheiro e quintal, mas não fazia nem um nem outro, apanhava muito, mas era só a mãe descuidar e la estava ela na rua novamente, e o filhinho da mamãe? sem responsabilidade alguma, rua o dia inteiro, pois no conceito da nossa mãe ``menino tem que ser criado solto na rua´´
Confusão ele sempre arrumou, andava em más companhias e não adiantava tentar abrir os olhos da
mãe para isso que ela surtava, aconteceu dele começar amizade com um grupinho envolvido em diversos delitos desde roubo ate trafico e uso de drogas, alguém alertou a minha irmã mais velha e ela foi conversar com a nossa mãe...
- o Edu esta andando com os bandidinhos do bairro mãe, a senhora tem que por um fim nisso...
- você é uma mentirosa, meu filho jamais ia fazer amizades com os marginaizinhos do bairro...
- foi fulano que me avisou mãe, é pessoa honrada e só esta querendo ajudar...
- essa homem e um maricas e vive bisbilhotando a vida dos outros, eu não acredito numa só palava desse futriqueiro...
- mãe, preste atenção, é para o bem do Edu...
Mas a mãe não quis saber e foi direto contar para o filho que na época tinha quatorze anos, ele enfurecido partiu para cima da irmã mais velha proferindo impropérios tentando agredi-la fisicamente, mas foi contido pela mãe.
O tempo passou, eu casei tive um filho, o casamento não deu certo, continuei morando de aluguel com meu pequeno, aluguel este que pagava para minha mãe de um comodo e cozinha, mas passado alguns anos acabei comprando um terreno numa cidade próxima, através de classificados da época encontrei uma construtora que anunciava construções de casas populares a preço modico parcelado, e acabei entrando nessa.
Foi feito a planta da casa, paguei a entrada, e recebi um carne de boletos para pagamentos mensais, a
família se entusiasmou e resolveu reformar a casa também, foi feito um acordo e eu também ajudaria nessa reforma, só que descobrimos que a construtora era fake como se diz hoje em dia, o dono um estelionatário que alugava o escritório, contratava os profissionais mas nunca pagava aluguel e os empregados, e quando era despejado rapidinho conseguia outro escritório e contratava novos funcionários.
O fato é que na época perdi todo o dinheiro que tinha conseguido juntar depositado numa poupança mais três meses de salario ( eu estava trabalhando em dois hospitais e o salario de um deles era para paga a construção da minha casa) e a minha família perdeu a casa, pois o sujeito demoliu o telhado, e varias paredes, como resultado a família inteira foi morar comigo no comodo e cozinha, na minha cama de casal dormia eu , meu filho, minha mãe, a irma mais velha e a irmã adotiva, tempos negros que nem quero lembrar mais
Passou algum tempo, e o caçula da mamãe veio conversar comigo e com a Ani, dizendo que a mãe estava muito triste, que deveríamos nos juntar para construir a casa para ela, e que depois todos também ajudariam a construir a minha, eu já estava juntando um dinheirinho, mas com a promessa de ajuda na construção da minha casa concordei em ajudar.
Ledo engano, só para começar o caçulinha pagava apenas uma parcela do salario do pedreiro, meu pai fez um acordo com o trabalhador, ele receberia uma quantia por semana e teria cama e mesa, ou seja, ele iria receber alimentação e teria um comodo para dormir e ficar enquanto estivesse trabalhando para nos.
Então o acordo foi que cada um pagaria uma semana de salario para o pedreiro, e na quarta semana o salario seria dividido em 3 para cada um pagar 1/3, e o material? eu e minha irma Ani comprando e se estrepando, e o bonitinho nem queria saber.
Meu pai começou a tirar ``sarro´´ de mim e da Ani toda vez que íamos visita-lo no sitio afirmando
que nos estávamos construindo casa para o fulaninho casar, eu ficava sem graça, pois é claro que eu sabia que algo estava errado, pois o trato foi dividir a despesa igualmente entre nos três, só que o filhinho nem falava em ajudar na compra de materiais, eu e a Ani tínhamos quase o mesmo gênio, não gostávamos de confusão e fomos aceitando ate que a corda estourou, cheguei para meu irmão junto com a Ani e falei...
- Edu, não vai dar mais, o dinheiro que eu tinha na poupança acabou, agora tenho somente o salario da prefeitura que é pouco mais que um salario minimo, não tenho mais de onde tirar dinheiro...
- nem eu Eduardo...(minha irmã)
- mas como? eu preciso da casa pois vou casar daqui a alguns meses, e agora?
- como assim? eu pensei que estivesse ajudando a construir casa para a mãe, e alem do mais você só esta ajudando com o salario do pedreiro...
- a mãe falou para eu ajudar com o pedreiro e vocês assumiriam o resto...
- mas não foi esse o combinado...(eu)
E dai começou a confusão, as acusações, ele comprou piso e azulejo, mas foi um tal de falar que ele tinha vergonha na cara e eu e minha irmã não, ofensas, discussões que me arrependi de ter aceitado ajudar na construção da casa da família, pensei comigo mesmo...
- se aqui ele combinou e não assumiu então nem devo esperar ajuda dele para construir minha casinha...
Eu estava certa...
Infelizmente...
(continua no próximo post)






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